15.7.10

HISTÓRIA DA RÚSSIA



Historia da Russia
A Antiga Rússia
Mapa das antigas tribos.
Antes do I século, as terras vastas da Rússia do Sul pertenciam a tribos que não eram unidas entre si, como os Proto-Indo-Europeus e os Citas. Entre os séculos III e VI, as estepes foram esmagadas por ondas sucessivas de invasões bárbares e nómadas, conduzidas por tribos bélicas como os hunos, entre outros.
Entre os séculos X e XI, o principado de Kiev (a partir do qual se formaram grande parte dos países eslavos actuais) era o maior da Europa e um dos mais prósperos, devido ao comércio diversificado tanto com a Europa como com a Ásia.
Durante o século XI e XII, a incursão constante de tribos turcas nómadas, como os cumanos e os pechenegues, levou à migração maciça das populações eslavas do Sul às regiões pesadamente arborizadas do norte, conhecidas como Zalesye.
Por volta do século XIII os cazares governaram o Sul da Rússia. Foram aliados importantes do Império Bizantino e originaram uma série de guerras sangrentas contra os califados árabes. Nessa era, o termo "Rhos" ou "Rus" passaram a ser aplicados aos eslavos que dominavam a região.
Os estados medievais da República de Novgorod e Vladimir-Súzdal emergiram como sucessores do antigo e grande principado de Kiev naqueles territórios, enquanto que metade do rio Volga veio a ser dominada pelo estado muçulmano do Volga, a Bulgária.
Em muitas outras partes de Euroásia os territórios foram atravessados pelos invasores mongóis, que formaram o estado da "Horda de Ouro", e pilharam os principados russos durante mais de três séculos.
Depois, o tártaros governaram os territórios do Sul e do centro da Rússia actual, enquanto os territórios da Ucrânia actual e da Bielorússia foram incorporados no Grão-Ducado da Lituânia da Polónia, dividindo assim a população russa.

Moscóvia

É sob o comando de Moscovo que Moscóvia (também conhecida como Principiado de Moscovo ou Grão-Ducado de Moscovo) reanima-se e organiza a sua própria guerra da reconquista, voltando a anexar os seus territórios. Depois da queda de Constantinopla em 1453, Moscóvia permaneceu como o único estado cristão mais ou menos funcional na fronteira oriental da Europa, permitindo reclamar a sucessão do Império Romano Oriental.
No começo do século XVI, o principiado decide que o objectivo nacional seria recuperar todos os territórios russos perdidos durante a invasão dos Tártaros e proteger a região fronteiriça do Sul contra contra-ataques dos Tártaros da Crimeia e dos Turcos. Os nobres foram obrigados a servir nas forças militares para esta reconquista.
Em 1547, Ivan o Terrível, foi oficialmente coroado o primeiro czar da Rússia. Durante o seu reinado, Ivan I reconquista os territórios aos tártaros e cria uma Rússia multi-cultural e multi-religiosa. No fim do Século XVI, Ivan consegue criar as primeiras sementes na Sibéria. Ivan também será lembrado pelas suas atrocidades durante o século XVII.
Moscóvia entre 1300 e 1796
Moscóvia entre 1300 e 1796
As barreiras criadas pelos muçulmanos na zona da Turquia e do médio-oriente fizeram que as especiarias oriundas da Índia destinadas para a Europa passasse pela zona norte-este da Europa: Moscóvia. O principiado soube aproveitar esta tendência e criou grandes rotas comerciais entre a Índia, a Moscóvia e, por fim, a Europa.
Porém, as novas vias comerciais marítimas com o Oriente abertas pelos portugueses durante os Descobrimentos, contribuíram para o declínio da riqueza que então viera a ser gerada através dessas rotas comerciais.

A Rússia Imperial

É com a Dinastia de Romanov (iniciada em 1613) que se inicia o grande processo de "imperialização" da Rússia. Pedro, o Grande ou Pedro I da Rússia, derrotou a Suécia na Grande Guerra do Norte forçando o inimigo a ceder partes do seu território. E é na Íngria que se forma uma nova capital: São Petersburgo (nome em homenagem a Pedro). Com as ideias do Oeste Europeu, Pedro I faz evoluir a Rússia que antes se encontrara numa situação de pobreza extrema e prepara o caminho para o auge do país. O território do imério aumenta e, em 1648, o líder cossaco Semyon Dezhnyov descobre o estreito que separa a América da Ásia: o actual Estreito de Bering [7]. Nasce assim o maior império da Rússia.
Czar Pedro I da Rússia com quem começou a grande era imperial na Rússia.
Czar Pedro I da Rússia com quem começou a grande era imperial na Rússia.
A czarina Catarina, a Grande continuou o trabalho de Pedro, derrotando a Polónia e anexando a Bielorrússia e a Ucrânia - outrora o principado de Kiev. Catarina assina um acordo com o reino da Geórgia de modo a evitar invasões árabes do império turco - a Geórgia passa a ser protegida militarmente pela Rússia.
Em 1812, a grande armada de Napoleão entra em Moscovo mas vê-se forçada a abandoná-la pois ao chegar a esta cidade, estava vazia. Os russos tinham preparado uma armadilha contra Napoleão. O frio e a falta de recursos foram responsáveis pela morte de 90% das tropas francesas. Durante o regresso de Napoleão a Paris, os russos perseguiram-no e dominaram Paris trazendo para o império as ideias liberais que estavam em marcha na França e na Europa Ocidental. Ainda devido à perseguição sobre Napoleão, a Rússia conquista a Finlândia e a Polónia. O golpe final sobre Napoleão foi dado em 1813 quando o império e os seus aliados - os austro-húngaros e os prussianos - venceram a armada de Napoleão na batalha de Leipzig [7].
Sucessivas guerras e conflitos vão acompanhando a Rússia até ao fim da era czarista. Sai derrotada na Guerra da Crimeia que durou entre 1853 e 1856. Mais tarde, vence a Guerra Russo-Turca (1877-1878) e obriga o Império Otomano a reconhecer a independência da Roménia, da antiga Sérvia e a autonomia da Bulgária. [7].
A ascensão de Nicolau I trava o desenvolvimento da Rússia nos fins do século XIX com a criação da lei da servidão obrigando os camponeses a lavrar as terras sem poder as possuir. O sucessor, Alexandre II (1855-1881), ao ver o atraso da Rússia em relação à Europa, cria reformas que vão fazer com que a Rússia volte ao caminho do auge. Porém, as sucessivas derrotas da Rússia ao longo do século XIX e durante a o início do século XX levaram à instabilidade e ao descrédito em relação ao poder do Czar na altura. Os custos da guerra começavam a avultados e a população era quem suportava os custos dos soldados nas campanhas ao enviarem tudo o que produziam nos seus terrenos agrícolas.

A revolução de 1917 e o fim da era czarista

Apesar da Rússia se ter tornado num dos países mais poderosos do Mundo, apenas uma fina parte da população (os nobres) tinham boas condições de vida. Os camponeses eram terrivelmente pobres e trabalhavam sol-a-sol os seus terrenos sem puder as possuir. As sucessivas derrotas em várias guerras e batalhas durante a I Guerra Mundial e o descontentamento geral da população fizeram com que a economia interna começasse a deteriorar-se. [7] A instabilidade e a pobreza originaram uma revolução: a Revolução Bolchevique. Esta revolução tem duas datas: 1905 e 1917.
Na revolução de 1905 começa o fim da era czarista quando a Rússia foi derrotada inexplicavelmente pelo Japão durante uma guerra entre estes dois países. O Japão era um país pequeno e fraco a nível tecnológico e isso abalou o czar Nicolau II bem como a sua popularidade. Também em 1905, um grupo de trabalhadores elaborou um abaixo-assinado ao czar, no Palácio Imperial, em São Petesburgo, exigindo melhores condições de trabalho. O movimento foi violentamente repreendido pelas tropas do czar, que mataram a sangue frio vários dos trabalhadores. Esse episódio ficou conhecido como "Domingo Sangrento", e a partir dele se formaram os Sovietes.
A revolução de 1917 iniciou-se em Fevereiro daquele ano maioritariamente pelos bolcheviques. Entretanto, com a criação da República Liberal Russa (dirigida por Kerensky) o governo ficou nas mãos dos Mencheviques. O czar é derrubado e termina a era czarista dos Romanov. Em Outubro do mesmo ano, os bolcheviques, liderados por Lenin e Trotsky assumiram o poder e criaram o Partido Comunista onde foram dados os primeiros passos para a formação da URSS.
O Domingo Sangrento, episódio que ocorreu durante a Revolução de 1905 e que iniciou a queda do regime imperial na Rússia. O Domingo Sangrento, episódio que ocorreu durante a Revolução de 1905 e que iniciou a queda do regime imperial na Rússia.
Após a vitória dos bolcheviques, a Rússia sofre uma Guerra Civil (1918-1922) entre os Revolucionários (Exército Vermelho) e os Contra-Revolucionários (Exército Branco), estes últimos apoiados por tropas estrangeiras. Para vencer, Lenin adopta o "Comunismo de Guerra", confiscando a produção agrícola de modo a abastecer os soldados. Com a vitória do Exército Vermelho, grandes empresas privadas foram fechadas como, por exemplo, a empresa Smirnoff
Fonte: pt.wikipedia.org

Historia da Russia

Mapa da Rússia
Mapa da Rússia
O território da Rússia atual passou a ser povoado pelo homem pré-histórico há cerca de 900 mil anos, quando veio o clima frio da Ártica. O gelo com a expessura de mais de 1000 m invadiu o Norte da Europa e quase cobriu os Montes Urais.
Os homens primitivos sobreviveram ao período glaciário e também avançaram no seu desenvolvimento. Quando o gelo recuou para além do círculo polar, estabeleceu-se o clima favorável para lavoura e criaçao de gado. Os homens colheram sereais com foices de cilício, as mulheres fiaram linho e la.
Nos séculos IX- VIII a.C. os pré-eslavos, defendendo-se das tribos nômades guerreiras, ergueram fortalezas de madeira e dominaram a arte de fazer armas de ferro.
Naquele tempo remoto surgiram as primeiras lendas sobre os "bogatyrs"- ferreiros (herois épicos russos), que venceram os dragoes. Dragao que devorava as pessoas simbolizava, em contos de fadas russas, as incursoes das tribos das estepes que resultavam em incendios, pilhagem e cativeiro.

História da Rússia, Período Antigo

Fundaçao de Moscou

No início do século XII "Kievskaia Rus'' dividiu-se em mais de uma dúzia de principados. Uma regiao no Nordeste russo entre os rios Volga e Oka, celebre pelas suas terras férteis e bem protegida pelos bosques dos assaltos das tribos nômades, foi governada pelo príncipe Iuri Dolgoruki (Iuri-de-maos-longas).
Ele construiu várias cidades e fez alianças com os vizinhos. Em 1147 ele convidou seus vizinhos para uma aldeia fronteiriça, "Moscou", onde eles celebraram a vitória sobre os inimigos. Esta data ficou sendo considerada como a data da fundaçao de Moscou. Em 1156 em Moscou foi construida a primeira fortaleza de madeira, que virou depois uma das maravilhas do mundo - o Kremlin de Moscou.
Chapka de ManomakhChapka de Manomakh

Jugo târtaro

Em 1237 a Rússia foi invadida pelas tribos dos târtaros-mongois. Esmagando a forte resistencia das cidades separadas russas as ordas de mongois avançaram para o interior do país distruindo tudo o que foi construido durante os séculos de trabalho. O jugo târtaro durou cerca de 250 anos, dominando a vida política e cultural russa. A vitória dos russos unidos, chefiados pelo Príncipe Dmitri Donskoi, sobre as tropas târtaras, em 1380, foi o marco crucial para o fim do jugo. Mais de dois séculos foram necessários para reerguer a Rússia das cinzas.

O Renascimento russo

Renascimento RussoRenascimento Russo
A partir da segunda metade do século XIV começa a renascimento russo. Começou a reconstruçao do Kremlin, que deveria expressar as idéias da uniao e da potencia do Estado russo. Em 1471 começou a se erguer uma nova catedral, "Uspenski". Sua arquitetura acumulou as velhas tradiçoes russas e as técnicas da arquitetura italiana da época renascentista. As maciças cúpulas de ouro fizeram lembrar a potencia e uniao das terras russas. Perto daquela catedral cresceram as outras: Blagovechenski, Arkhanguelski e outros. Uma das maravilhas do mundo é a Catedral Pokrovski (Pokrov - Festa do Manto da Virgem), erguido na Praça Vermelha pelos mestres Barma e Postnik. A catedral é constituida de 9 igrejas ímpares, reunidas em torno de um pavilhao.

A época do Pedro O Grande

Armas da época do Pedro IArmas da época do Pedro I
A Rússia tradicionalmente introvertida e autosuficiente deu passo girante nas áreas económica, política, da política exterior, social e cultural, bem como nas reformas radicais do seu exército, na época do Pedro O Grande.
Até o final do século XVII a Rússia nao tinha nem frota mercante, nem Marinha. Estava isolada dos mares Negro e Báltico, o que dificultava o seu relacionamento com a Europa. Em 1672 Pedro I subiu ao trono de czar da Rússia. Foi ele quem desempenhou um dos mais importantes papéis na história russa. Pedro I foi o primeiro a entender a importância da Marinha e mandou várias delegaçoes russas para aprenderem a arte de navegar nos mares da Europa. Ele foi o fundador das tropas regulares, sofisticou sua organizaçao e logística.
A vitória na Guerra do Norte (1700-1721) garantiu r Rússia o acesso ao Mar Báltico, pelo que lutou durante muitos séculos. "A janela para o Ocidente" estimulou as atividades diplomáticas e beneficiou as parcerias, principalmente com os países da Europa Ocidental. Expandindo e desenvolvendo os seus territórios em direçao Norte, ao redor do rio Volga, montes Urais e além dos Urais, na Sibéria e na costa do Oceano Pacífico a Rússia tornou-se Império.

No início do século XIX o Império Russo fez parar e fugir o exército-invasor do Napoleao I, Imperador frances, fato que entrou na história russa com o nome de Guerra Patriótica de 1812.
Depois da aboliçao da escravatura em 1861 que existia na Rússia desde século XVI começou o desenvolvimento impetuoso da economia. Nas últimas décadas do século XIX registrou-se forte crescimento de manufaturas, empresas privadas, bancos e comércio. No mesmo período as disparidades socias alcançaram o seu climax e o descontentamento com governo foi muito generalizado.
A Guerra Mundial de 1914-1918 diminuiu o potencial da economia da Rússia até o mais baixo nível, exauriu os recursos materiais e financeiros do país.

História da Rússia, O período socialista

Em Outubro de 1917 os "bolcheviques" (quer dizer - "representantes da maioria") do Partido Social-Democrático de Trabalhadores da Rússia chefiados por Vladimir Lenin conduziram a Rússia à Grande Revolução Socialista. O objetivo da revolução era a eliminação da injustiça social e a criação de uma sociedade que deveria evoluir para comunismo.
Juntamente com vários países vizinhos a Rússia formou, em dezembro de 1922, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.Durante os 31 anos seguintes o país foi governado pela elite do partido de "bolcheviques" encabeçada por Joseph Stalin. Stalin com a elite bolchevique impôs o totalitarismo, usurpando todo o poder na URSS. O totalitarismo vitimou milhões de pessoas inocentes e dizimou-as em campos de trabalho e morte. A maioria dos dirigentes do Exército Vermelho, das Forças Armadas soviéticas, foi submetida a repressões, o que feriu gravemente o potencial defensivo do país. Apesar do terror político e da arbitrariedade, a industria estava se modernizando rapidamente, aumentando o potencial bélico e o peso do país nos processos decisórios internacionais.
Em 1941 as tropas da Alemanha nazista atacaram a União Soviética. Os nazistas durante os dois primeiros anos da Segunda Guerra Mundial já tinham conquistado a maior parte da Europa. Em tempo muito curto o país recolheu todas as forças físicas e morais para rechaçar o inimigo. A valentia dos soldados, as habilidades dos generais e esforço máximo de cada cidadão contribuiram para a capitulação da Alemanha em maio de 1945. A guerra causou 27 milhões de vítimas dos cidadãos soviéticos.
Insígnia da VitóriaInsígnia da Vitória
A idéia socialista atingiu o seu topo nos anos 60, começando depois o declínio, a estagnação e a crise. A economia dirigida pela burocracia comunista permaneceu em banho- maria graças às injeções de capitais provinientes das exportações de recursos minerais como pertróleo e gás natural. As despesas militares abalaram o orçamento estatal e influenciaram o crescimento desproporcional do ramo militar da indústria.
uitas ideias construtivas que apareciam nos círculos económicos foram rejeitadas. Todos os aspectos da vida da sociedade inclusive a política externa, foram inseridos em apertados moldes ideológicos. Em meados dos anos 80 o país enfrentou a necessidade das reformas radicais nas áreas económica, social e política.
Leonid I.BREJNEV, Secretário-Geral do PCUSLeonid I.BREJNEV
Secretário-Geral do PCUS
Michail Gorbatchev, Secretário General do Partido Comunista, que se-tornou o primeiro e último Presidente do URSS, começou a reformar a sociedade. Entretanto, as reformas não foram fáceis. A economia entrou em crise, a inflação subiu, varias forças políticas sairam em confrontação, cresceu a tensão social, estouraram os conflitos étnicos. A União Soviética mostrou a sua incapacidade de resolver esta crise global. Assim, o acordo assinado em 1991 pelos líderes das tres maiores republicas soviéticas -Rússia, Ucránia e Bielorússia - declarou o final da União Soviética. A Rússia passou a ser a herdeira de todos ativos e passivos da URSS.
Fonte: www.brazil.mid.ru
A URSS herdou território, população, virtudes e defeitos do Império Russo.
Século IX (862) povo russo (eslavos) iniciam processo de expansão territorial que se desenvolve até o século XX.
Processo teve início numa estreita faixa de terra entre os mares Báltico e Negro.
Buscavam novas terras e, principalmente, acesso a mares navegáveis mesmo durante o inverno.

Conseqüências

  • conquista e submissão de muitos povos, pelos russos
  • intensos e constantes fluxos migratórios
  • Estado com grande heterogeneidade étnica
I. PRIMEIRA ETAPA DA EXPANSÃO RUSSA: do século IX (862) ao século XIII (1223)
De maneira geral, os rios cortam o território russo de norte a sul e vice-versa è importantes rotas comerciais entre o Báltico e o Negro.
862 - chefe escandinavo (VIKING) Rurik assume o domínio hegemônico da região norte, com sede em NOVGOROD (Rio Volkov/Lago Ilmen). Nasce aí o Estado Russo.
882 - Oleg, sucessor de Rurik, submete tribos vizinhas (eslavas) ao sul, transferindo para KIEV (Rio Dnieper) a capital do Estado Russo.
Está conquistada a "estrada líquida", N/S, entre o Báltico e o Negro:
  • Mar Báltico - Golfo da Finlândia
  • Rio Neva
  • Lago Nadoga
  • Rio Volkov/Lago Ilmen (NOVGOROD)/Rio Lovat
  • Estradas de terra
  • Rio Dnieper (KIEV)
Mar Negro (BIZÂNCIO, - depois chamada de: CONSTANTINOPLA, - atualmente: ISTAMBUL).
Os eslavos chamavam os vikings de RUSS (remadores, ruivos, do norte):
  • Eslavos do oeste: entre osrios Vístula, Oder, Elba = atuais poloneses, tchecos
  • Eslavos do leste: no oriente do rio Dnieper = atuais russos e ucranianos
  • Eslavos meridionais: ao sul do rio Danúbio = atuais sérvios, croatas e eslovenos.
988 - Vladimir - primeiro governante eslavo do Estado Russo: ambicionando novos domínios ao sul, converteu-se ao cristianismo na Igreja Ortodoxa (sede em Bizâncio), para casar-se com a irmã do imperador bizantino. Os russos se consolidam como "ORIENTAIS" em oposição aos ocidentais (cristianismo romano). A Rússia é, então, isolada da Europa.
Século XIII (1.223) até século XV - os mongóis ("tártaros" - GENGIS KHAN) vieram do norte da China e estabeleceram um enorme domínio (Mongólia, Sibéria, Ásia Central, Geórgia, Armênia, Rússia, etc.). Este domínio (REINO DA HORDA DE OURO) durou mais de 150 anos.

Grande expansão territorial

Grande expansão territorial Grande expansão territorial
Ivã III (1.462-1.505) - Adotou o título de CZAR (correspondente ao César do Império Romano) e considerou-se o sucessor do Império Bizantino depois que os turcos muçulmanos tomaram a capital (Constantinopla - 1.453).
Czar Ivã IV, o Terrível (1.553 - 1.584) - Moscou se torna a capital do Império Russo. Expandiu o Império Russo conquistando terras desde o Vale do Rio Volga até o Mar de Barents, e do norte do Cáucaso até Kazan (Ásia Central), além de iniciar a conquista da Sibéria. Com a morte de Ivã IV, tem início a Dinastia dos Romanov que terminará em 1.917.
III - TERCEIRA ETAPA DA EXPANSÃO RUSSA: do final do século XVII (1.689) até o século XIX

Principais Czares

  • Pedro, o Grande (1.689/1.725).
  • Catarina II (1.762/1.796).
  • Alexandre II (1.855/1.881).
  • Período em que o Império Russo atinge o apogeu de sua expansão territorial.

1689 - 1725 - Czar Pedro, o Grande:

a leste : continua a conquista da Sibéria
ao sul: impõe protetorados no Cáucaso (Geórgia, Armênia);
a oeste: posse dos territórios suecos do Báltico: atuais Letônia e Estônia.
Rússia se torna a principal potência do Báltico.
Para assegurar estas conquistas, Pedro transfere a capital, de Moscou para São Petersburgo (depois chamada de: Petrogrado / Leningrado / São Petersburgo), às margens do Rio Neva, junto ao Golfo da Finlândia.
Estratégia mais ampla era projetar a Rússia com seu destino ligado à Europa (OCIDENTE).
Estabeleceu um conjunto de leis que visavam impor à força a "europeizaçao" da Rússia.
Dinamizou a cultura, fundou escolas.
Assumiu a chefia da Igreja Ortodoxa como Patriarca.

1762 - l796 - Czarina Catarina II, a Grande (déspota esclarecida).

Neste mesmo período

Nos EUA: 1776 - REVOLUÇÃO AMERICANA (Independência)

Na Europa

O Iluminismo, a defesa do Estado Burguês.
1750 = Inglaterra / REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
1789 = França / REVOLUÇÃO FRANCESA
1814 = Derrota de Napoleão Bonaparte (França)
1815 = Congresso de Viena / Reino Unido da Grã-Bretanha consolida-se como poder imperial supremo ao se apoderar das principais colônias estratégicas.
Criou, nos Urais, indústrias de armamentos e grandes produções metalúrgicas, aproveitando as jazidas de ferro, de cobre e extensas florestas nessa região.
Incentivou investimentos , encorajou negócios e criou uma espécie de servidão industrial.
Aboliu a tortura, instituiu a liberdade religiosa e a igualdade de legislação para todos os domínios.
1764 - Todas as terras da Igreja foram convertidas em propriedades do Estado e os clérigos em funcionários do governo.
Geórgia, Armênia e Azerbaijão, que estiveram sob os turcos muçulmanos, foram incorporados ao Império Russo.
Rússia se firma como grande potência mundial, mas envolta em um desenvolvimento tímido se comparada ao Ocidente.
A corrupção aumenta ainda mais.
EXPANSÃO RUSSA EM DIREÇÃO AO OESTE E CÁUCASO (SÉCULOS XVIII E XIX)
EXPANSÃO RUSSA EM DIREÇÃO AO OESTE E CÁUCASO (SÉCULOS XVIII E XIX)
1855 - 1881 - Czar Alexandre II:
  • Neste mesmo período

No mundo:

1842 - Guerra do Ópio ingleses vencem chineses e forçam a China a abrir 5 portos ao comércio estrangeiro.
1850 - 2ª Revolução Industrial na Inglaterra. Na França, Itália e Alemanha, desenvolve-se a Revolução Industrial.
1854 - Esquadra norte-americana aporta no Japão, forçando o Xógum a abrir 2 portos ao comércio estrangeiro.
1857 - Revolução dos Cipaios os ingleses vencem os hindus e ocupam militarmente o Hindustão, passando a colonizá-lo.
1861/65 - Guerra de Secessão nos EUA.
1868 - Começa a Era Meiji e a Revolução Industrial no Japão.
1885/87 - O chanceler alemão Bismarck convoca a Conferência de Berlim para fixar as regras da partilha da África entre as nações européias.

No Império Russo

Auge da Revolução Industrial Russa e da expansão territorial.
Conquistou territórios na Ásia Central (Casaquistão, Usbequistão Turcomenistão, Tajiquistão, Quirquistão), até as fronteiras da Pérsia (atual Irã) e do Afeganistão.
Com a Guerra Civil Americana (1861/65), a produção algodoeira do sul dos EUA foi desorganizada e os vales dos rios da Asia Central foram destinados à monocultura do algodão.
No extremo oriente, conquistou partes da China na costa do Mar do Japão,tomou posse da Ilha Sacalina, trocada pelas Curilas com o Japão.
Apesar do desenvolvimento econômico, persistiam os problemas sociais:
  • pobreza ou miséria da imensa massa camponesa
  • relações pré-capitalistas no campo (servidão e escravidão);
    baixa produtividade agrícola
  • pesados impostos cobrados dos camponeses
  • péssimas condições de vida dos trabalhadores urbanos
  • enorme corrupção envolvendo os governos absolutistas
  • efervescência contestatória ao czarismo crescendo cada vez mais (em 1.890, já havia 50 mil presos políticos).
A expansão russa dos sécs. XIX e XX apoiou-se na ideologia do pan-eslavismo:
  • união de todos os povos eslavos sob um só Estado.
Para assegurar a posse dos novos territórios conquistados foram construídas duas ferrovias:
1883/86 - Transcaucasiana (N/S) de São Petersburgo (Mar Báltico), passando por Moscou e chegando a Baku (no Azerbaijão/Mar Cáspio)
1891/1904 - Transiberiana (L/O) de Moscou ao porto russo de Vladivostok (Oc. Pacífico).

IV - FIM DO CZARISMO E REVOLUÇÃO SOCIALISTA

1894 -1917 - Czar Nicolau II - acelera-se ainda mais a industrialização.
1903 - Os opositores russos perseguidos pelo czarismo reúnem-se em Londres, divididos em dois grupos:
BOLCHEVIQUES (ou majoritários) - vermelhos - revolucionários, pregavam a revolução socialista, a ditadura do proletariado.
MENCHEVIQUES (ou minoritários) - brancos - reformistas, queriam chegar ao socialismo através do amadurecimento do capitalismo.
1904/1905 - Guerra contra o Japão visando ocupar a Mandchúria Chinesa e a Coréia. Rússia é derrotada e entrega Ilha Sacalina aos japoneses. (Após a 2ª Guerra Mundial, Japão derrotado entrega Sacalina e Curilas à URSS).
1905 - "Domingo Sangrento" - insatisfação popular leva a uma manifestação pacífica, violentamente reprimida pela polícia do Czar. Militares se revoltam (Encouraçado Potenkim - Mar Negro).
1906 - Czar cede poder e é criada uma Monarquia Constitucional Parlamentar.
Instala-se a DUMA (Parlamento) com deputados originários das elites.
Agitação revolucionária popular cresce e impulsiona a formação dos SOVIETES (Conselhos de Trabalhadores).
Conflitos aumentam. Duma é dissolvida.
Retorna a autocracia czarista como solução radical.
1914 - 1918 - 1ª GUERRA MUNDIAL - Império Russo é um dos principais envolvidos.
Reafirmando seu Pan-Eslavismo solidarizou-se com a Sérvia, contra Império Austro-Húngaro e Alemanha, na "Questão Balcânica".
1916 -1917 - Império Russo está militarmente arrasado e economicamente desorganizado, com 1,5 milhão de mortos.
março/1917 - Mencheviques depõem o Czar Nicolau II e criam a República da Duma (Parlamento).
Comprometido com as potências aliadas (Tríplice Entente), que constituíam os principais investidores capitalistas estrangeiros no país, o novo governo parlamentar manteve a Rússia na 1ª Guerra Mundial, não produzindo alterações na crise.
Líderes revolucionários bolcheviques (Lênin, Trótski), pregam "todo o poder aos Sovietes", contra a Duma dos mencheviques.

Defendiam:

  • a retirada da Rússia da 1ª Guerra Mundial
  • a divisão das propriedades rurais entre os camponeses
  • a nacionalização das indústrias e bancos
  • a regularização do abastecimento interno.
25/10/1917 - BOLCHEVIQUES tomam a sede do governo e estabelecem o Conselho de Comissários do Povo, nome do novo governo russo, tendo LÊNIN na Presidência, TRÓTSKI no comando dos Negócios Externos e STÁLIN nos Negócios Internos.
março/1918 - Antes do término da 1ª Guerra Mundial a Rússia assina um Tratado de Paz (Brest-Litovsk), em separado com a Alemanha e retira-se do conflito. (Eram seus inimigos, a "Tríplice Aliança": Alemanha, Itália e Império Austro-Húngaro, (e, depois, também o Império Turco-Otomano).
Perdas territoriais da Rússia: Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, Ucrânia
(todas recuperadas ao final da 2ª Guerra Mundial); além de pagar pesada indenização em ouro e trigo, à Alemanha.
julho/1918 - A família imperial do Czar é assassinada pelos bolcheviques.
ESBOÇO DA EXPANSÃO DO IMPÉRIO RUSSO E DA UNIÃO SOVIÉTICA
ESBOÇO DA EXPANSÃO DO IMPÉRIO RUSSO E DA UNIÃO SOVIÉTICA
1918 - 1921 - GUERRA CIVIL NA RÚSSIA:
"brancos" (Mencheviques) = favoráveis ao czarismo, pretendiam a continuidade do capitalismo. Eram apoiados pela França, Grã-Bretanha e Japão os quais buscavam abocanhar territórios pertencentes à Rússia. Chegaram a ocupar diversas regiões e formaram um "governo paralelo" ao dos "vermelhos". Os "brancos" acabaram sendo derrotados pelos "vermelhos".
O X Congresso do PC, proibia a existência de facções (grupos organizados dentro do partido, com visão discordante da direção). Nada mais poderia se opor aos líderes bolcheviques, nem dentro nem fora do PC. Era adotado o regime de partido único.
Os revolucionários bolcheviques tinham como objetivo acabar com todas as injustiças cometidas durante o czarismo mas irão conservar e reproduzir muito do antigo regime.
Durante o período da guerra civil, muitas medidas autoritárias foram por eles adotadas com caráter provisório (para enfrentar o inimigo).
Mas, acabaram se tornando definitivas, para poderem reorganizar o Estado e enfrentar os inimigos externos (os capitalistas), que tentavam sabotar a "experiência" socialista soviética a qualquer custo. O número de mortos elevou-se a milhões, e a produção agrícola e industrial estava praticamente paralisada.
1921 - O governo bolchevique ("vermelho") criou a GOSPLAN = Comissão do Plano Geral do Estado, grupo de trabalho para planificar e centralizar a economia. Estabeleceu um plano econômico de emergência (NEP = Nova Política Econômica) para combater a crise e a fome e direcionar a transição da economia capitalista para o socialismo, fazendo algumas concessões à economia privada e aos camponeses.

V – SURGE A URSS: EXPECTATIVAS DE UM NOVO MUNDO, UM NOVO HOMEM.

1922 - Liderados por Lênin, Stálin e Trótski, os bolcheviques (vermelhos) vencedores da guerra civil criaram a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), cuja herança do Império Russo pode ser assim resumida:
a maior extensão territorial do mundo;
abrigava uma centena de povos diferentes entre si, mas com uma característica comum: dominados e submetidos pelos russos;
longa tradição burocrática, centralizadora e concentradora do poder nas mãos do Estado.
STÁLIN é designado Secretário-Geral do PCUS (Partido Comunista da União Soviética).
1924 - O líder dirigente LÊNIN morre. Deixa "carta-testamento" em que pede o afastamento de Stálin do cargo de Secretário-Geral do PCUS. Disputam o poder TRÓTSKI e STÁLIN; dois extremos se opõem: Leon Trotsky (à esquerda, preconizando a revolução internacionalista e permanente) e Josef Stálin (defendendo a "teoria" do socialismo num só país). Trótski é derrotado e expulso da URSS, exilando-se no México (onde será assassinado em 1940, pelo agente russo Ramón Mercader, a mando de Stálin).
Stálin governa com "mão de ferro" e impõe a Ditadura do Proletariado, governo de partido único - o PCUS. O Estado passa a ter total controle da economia.

Prioridades

  • fortalecimento do Estado
  • coletivização da agricultura
expansão da indústria de bens de produção (base).
Surge uma elite ligada à burocracia do Estado e do Partido, com poder absoluto (NOMENKLATURA), que se perpetuará no poder.
A URSS se isola do mundo (e o stalinismo ficará intocado por três décadas).
1928 - Stálin introduz os PLANOS QÜINQÜENAIS = prioridade ao setor industrial de bens de produção ou de base, exploração dos recursos minerais e aproveitamento do potencial hidroelétrico.
Justificativa dos dirigentes soviéticos para a política industrial adotada:
  • país socialista não devia valorizar o consumo individual como os capitalistas faziam, mas deveria sim desenvolver os setores de bens de produção que é a base para outros setores industriais
  • necessidade de proteger o novo regime, diminuindo a dependência de tecnologia externa
  • desenvolver indústria de base possibilita a fabricação de equipamentos bélicos, necessários à defesa do socialismo e dá "prestígio" ao regime.
1929 - Stálin inicia a COLETIVIZAÇÃO FORÇADA DO CAMPO, que duraria até 1932. Pelo menos 13 milhões de camponeses são mortos.
1932 - Completa-se a coletivização da agricultura, organizada em
KOLKHOZES (50% de toda a área cultivada na URSS) = cooperativas de camponeses, resultantes da reunião de várias propriedades particulares. A colheita era vendida para o Estado.
SOVKHOZES = fazendas pertencentes ao Estado. Trabalhadores eram funcionários do Estado.
Sob Stálin, condenações, expulsões do Partido, execuções, exílios, internamentos em hospícios, e especialmente os "PROCESSOS DE MOSCOU" (1936 a 38), aniquilaram totalmente a oposição. Todos os principais dirigentes da Revolução de 1917 foram acusados de traição e executados por fazerem parte de um suposto "complô nazitrotskista" com o objetivo de subverter o Estado Soviético. A ESQUERDA EUROPÉIA DÁ CRÉDITO A STÁLIN.
O desenvolvimento produtivo desse período elevou a URSS à categoria de potência mundial às vésperas da Segunda Guerra Mundial (1935) e, em 1940, já era a terceira potência industrial no mundo, ficando atrás apenas dos EUA e Alemanha.
Admite-se que milhões de pessoas morreram e milhões de outras foram aprisionadas ou mandadas para trabalhos forçados em regiões remotas e inóspitas, como a Sibéria. Onze milhões de pessoas foram obrigadas a se deslocar para as cidades, segundo o esforço industrializante dos "Planos Qüinqüenais". Para consolidar a hegemonia de Moscou sobre as áreas mais distantes do domínio soviético, foram feitas maciças migrações de russos (eslavos), com incentivo do Estado.
1939 - 1945 - SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
1939 – Os chanceleres de Josef Stálin e Adolf Hitler (MOLOTOV e RIBBENTROP, respectivamente), assinam um pacto de não-agressão, cuja cláusula secreta partilhava a POLÔNIA e garantia anexação à URSS dos Estados Bálticos (ESTÔNIA, LETÔNIA e LITUÂNIA) e da BESSARÁBIA (pertencia à ROMÊNIA) atualmente pertence à MOLDOVA.
1941 – Alemães nazistas invadem a URSS.
Aproveitando-se do envolvimento alemão em várias frentes de guerra simultâneas e da ruptura alemã com os soviéticos, os EUA começam a fornecer ajuda militar a URSS.
Por instrução de Stálin, o Exército Vermelho, empregando a tática de "terra arrasada" — a mesma usada contra Napoleão — dificultou a penetração nazista. Assim, o Exército Vermelho teve tempo de reestruturar-se até que, com a chegada do inverno rigoroso, pôde passar ao ataque violento e decisivo.
Mesmo sofrendo baixas consideráveis, Hitler ordenou que seus comandados continuassem o avanço, até o último homem, para conquistar os campos petrolíferos do Cáucaso e as indústrias militares de Stalingrado (atual Volgogrado).
1943 - Os soviéticos, beneficiados novamente pelo rigoroso inverno, cercaram a cidade de Stalingrado, forçando os alemães à sua primeira capitulação. Terminando o episódio mais sangrento da guerra, começava o recuo nazista e a decadência do Terceiro Reich.
O Exército Vermelho, avançando rapidamente sobre as zonas ocupadas pelos nazistas, conseguiu retomar a BULGÁRIA, a HUNGRIA, a TCHECOSLOVÁQUIA, a POLÔNIA e a FINLÂNDIA.
Enquanto isso, os Aliados articulavam o ataque à frente ocidental, que se realizou com o desembarque maciço na Normandia (costa norte da França), em 6 de junho de 1944, o Dia D.
Fev. 1945 - Conferência de IALTA (na Criméia - Ucrânia/URSS): Roosevellt (EUA), Churchill (Inglaterra) e Stálin (URSS), reúnem-se para:
  • acertar os detalhes finais da grande ofensiva contra a Alemanha
  • os limites das fronteiras soviéticas
  • o destino dos países do Leste Europeu, onde as tropas soviéticas estavam substituindo rapidamente os invasores, (alemães nazistas).

Stálin estendeu as fronteiras soviéticas, refazendo praticamente o mesmo traçado da época em que o Império Russo estava no seu auge.
A URSS anexou a ESTÔNIA, LETÔNIA, LITUÂNIA, RÚSSIA BRANCA (BIELARUS), a UCRÂNIA.
24/04/45 - Exército Vermelho cerca Berlim, obrigando Hitler a se refugiar numa fortaleza militar (bunker), onde veio a se suicidar no dia 30.
02/05/1945 - Berlim capitula e as forças nazistas rendem-se aos Aliados.
25/04 e 26/06/1945 - Conferência de San Francisco (EUA), é criada a ONU (Organização das Nações Unidas) em substituição à Liga das Nações. A URSS torna-se um dos 5 membros efetivos do Conselho de Segurança (com direito a veto).
17/07 e 02/08/1945 - Conferência de POTSDAM (subúrbio de Berlim/Alemanha): Harry Truman (EUA), Clement Attlee (Inglaterra) e Stálin (URSS).

Decisões importantes

A Alemanha teria suas Forças Armadas completamente desmobilizadas. Seu parque industrial seria reduzido. Pagaria reparações de Guerra.
O território alemão seria dividido em QUATRO ZONAS DE OCUPAÇÃO a serem administradas pela URSS, INGLATERRA, EUA e FRANÇA.
A Alemanha seria dividida e o Leste Europeu passaria à "esfera de influência" soviética.
1945 - POLÔNIA e IUGOSLÁVIA tornam-se "democracias populares" (regimes de partido único = PC).
1946 - BULGÁRIA e ALBÂNIA tornam-se "democracias populares".
Em discurso pronunciado em Fulton, Missouri (EUA), Churchill usa, pela primeira vez, a expressão "CORTINA DE FERRO" para designar a "satelitização" dos países do Leste Europeu, promovida pela URSS.
Na Conferência de Paris (1946), os Aliados negam aos soviéticos o controle dos Estreitos de Bósforo e Dardanelos. Os soviéticos, sentindo a superioridade bélica norte-americana (bomba atômica) adotam atitude prudente.
Europa Pós-GuerraEuropa Pós-Guerra

VI - DA GUERRA FRIA AO FIM DA UNIÃO SOVIÉTICA.

1947 - Começa o período denominado GUERRA FRIA (este período será tratado separadamente).
As relações entre a União Soviética e o Ocidente ficam cada vez mais tensas.
A ROMÊNIA torna-se "democracia popular".
Os PCs da GRÉCIA e da TURQUIA estão próximos de chegar ao poder.
Truman (EUA), anuncia um plano de ajuda para a reconstrução européia, elaborado pelo então Secretário de Estado, George Marshall, cujo objetivo é consolidar o capitalismo no lado ocidental europeul (PLANO MARSHALL).
A ONU, estimulada pelos EUA e Grã-Bretanha, no ORIENTE MÉDIO, divide a Palestina entre judeus e árabes.
1948 - Moscou continua "sovietizando" os países do Leste Europeu. A TCHECOSLOVÁQUIA torna-se "democracia popular".
O dirigente iugoslavo Josip Broz Tito rompe com Moscou, marcando a primeira dissidência do mundo comunista.
Em represália ao Plano Marshall, aplicado também na Alemanha Ocidental, Stálin ordena, em 24 de julho, o BLOQUEIO DE BERLIM OCIDENTAL.
É fundado o Kominform (organização que reunia sob o comando do PCUS, todos os PCs da Europa Oriental, Itália e França), substituindo o Komintern (III Internacional), dissolvido em 1943 por Stálin.
Na Palestina, os judeus fundam o ESTADO DE ISRAEL (1ª Guerra entre árabes e israelenses = GUERRA DA INDEPENDÊNCIA DE ISRAEL).
1949 - O bloqueio de Berlim Ocidental fracassa em maio, após 11 meses, mas precipita a fundação da República Democrática da Alemanha (comunista) com a capital em Berlim Oriental e da República Federal da Alemanha (capitalista) com a capital em Bonn.
A URSS explode a sua primeira bomba atômica.
Os aliados (ocidentais) fundam a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
É criado o COMECON (Conselho para Assistência Econômica Mútua) organização econômica dos países do bloco soviético, a fim de estimular a reconstrução e a interdependência na produção e no comércio.
Ordenados por Stálin, começam os expurgos, das lideranças comunistas nacionais no Leste Europeu, incluindo Laslo Raik (Hungria) e Vladislav Gomulka (Polônia).
Em outubro, liderados por Mao Tsé-Tung, os comunistas tomam o poder na China.
1950/53 - Guerra da Coréia. A Coréia, após o invasor japonês se retirar, em 1945, tinha sido dividida provisoriamente em uma zona de ocupação soviética ao Norte e uma zona de ocupação norte-americana ao Sul (Paralelo 38ºN). Em 1948, formaram-se 2 Estados. Em 1950, após os comunistas tomarem o poder na China, os norte-coreanos penetrara na zona capitalista ao sul, decididos a reunificar o país. Aplicando a noção de "contenção do socialismo", os EUA desembarcam tropas militares no Sul. Em 1953 é assinado o Armistício de Panmunjon, confirmando as linhas divisórias anteriores (38ºN).
1953 - Stálin morre em março, e isso desencadeia a luta pela sua sucessão, entre Lazar Kaghanovitch, Giorgi Malenkov e NIKITA KHRUCHEV (sendo este ultimo o vencedor).
Em 17 de junho, o Exército Vermelho reprime um levante operário em Berlim Oriental.
1955 - Em oposição à OTAN, os países socialistas fundam sua própria aliança militar, o PACTO DE VARSÓVIA, integrada inicialmente, pela União Soviética, Albânia, Hungria, Romênia, Bulgária, Polônia e Tchecoslováquia. A Albânia deixaria o pacto em 1961.
Em Bandung (Indonésia) alguns países se reúnem criando o Bloco dos PAÍSES NÃO ALINHADOS.
1956 - Para consolidar o seu poder no PCUS, Khrushev denuncia, no XX Congresso do Partido, os crimes cometidos por Stálin e acusa de stalinistas, os seus adversários. O Kremlin (sede do governo soviético) decreta o fim do Kominform, evidenciando sua disposição para a retomada de uma política de negociações e entendimentos com Whashington (EUA).
Revoltas operárias reconduzem Gomulka ao poder na Polônia.
Na Hungria, o dirigente comunista Imre Nagy dirige uma revolta contra Moscou e anuncia a retirada de seu país do Pacto de Varsóvia. Khrushev envia tanques para esmagar a revolta, em novembro. Nagy é preso e será executado como "traidor" em 1958.
No ORIENTE MÉDIO, ocorre a 2ª guerra entre árabes e israelenses (GUERRA DE SUEZ).
1959 - Fidel Castro lidera um movimento nacionalista (que só se tornaria marxista 2 anos depois), toma o poder em Cuba encerrando a ditadura de Fulgêncio Batista (pró-EUA).
O Secretário Geral do PCUS, Nikita Kruschev visita os EUA, onde participa dos trabalhos da Assembléia Geral da ONU.
1960 - Após 5 anos de crescentes tensões, a União Soviética retira seus assessores técnicos da China. Os maoístas criticam a política de "desestalinização" e de "coexistência pacífica" com o capitalismo, preconizada por Nikita Khrushev.
O "racha" sino-soviético tem repercussão no movimento comunista internacional. No Brasil, um grupo deixa o Partido Comunista Brasileiro e forma, em 1961, o Partido Comunista do Brasil (PC do B - maoísta)
Alguns países produtores de petróleo criam um cartel, com a finalidade de enfrentar as poderosas companhias britânicas, francesas e norte-americanas. É fundada a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).
1961 - O Muro de Berlim torna-se real. O êxodo de centenas de milhares de trabalhadores da Alemanha Oriental para o lado ocidental, em busca de melhores salários e condições de vida, provoca a construção do muro, em agosto. O Muro de Berlim, construido pelos comunistas, seria o maior símbolo da Guerra Fria.
A Albânia mantém-se aliada à China e rompe relações com a URSS.
Os EUA enviam milhares de "assessores técnicos" ao Vietnã do Sul (capitalista).
1962 = Eclode a CRISE DOS MÍSSEIS. Khrushev decide instalar em CUBA, em outubro, lançadores capazes de transportar ogivas nucleares que atingiriam Washington em menos de 15 minutos. John Kennedy, então presidente dos Estados Unidos, ordena o BLOQUEIO NAVAL DE CUBA. Cria-se um foco de grande tensão. Moscou recua. Washington assume o compromisso de não invadir Cuba.
A crise dos mísseis provoca a instalação do "telefone vermelho" entre Moscou e Washington, na realidade uma linha de telex com capacidade para colocar em contato os chefes dos dois Estados no caso de uma nova situação de emergência.
1964 - Khrushev é deposto por um golpe palaciano desferido por Leonid Brejnev, em comum acordo com dois outros membros da cúpula soviética: Alexei Kossiguin e Mikhail Suslov. Brejnev será proclamado o novo secretário-geral do PCUS, cargo que ocupará até sua morte, em 1982.
No Brasil, os militares suspendem o regime constitucional e assumem o poder (em 31 de março), alegando, como uma das causas centrais, a necessidade de defender o país contra a ameaça do "comunismo internacional".
Os EUA iniciam os bombardeios sobre o Vietnã do Norte (comunista).
A China detona sua primeira bomba atômica.
No ORIENTE MÉDIO, diversos grupos da resistência palestina criaram a OLP (Organização para a Libertação da Palestina). Essa organização visava lutar para a obtenção de um Estado democrático e laico para judeus, cristãos e muçulmanos, abrangendo toda a Palestina, inclusive o território de Israel.
1966 - Mao Tsé-Tung promove a Revolução Cultural na China, período de perseguições e execuções de adversários políticos que só terminaria com sua morte, em 1976.
1967 - No ORIENTE MÉDIO, acontece a 3ª guerra entre árabes e israelenses (GUERRA DOS 6 DIAS).
ERNESTO CHE GUEVARA (líder guerrilheiro cubano) é executado na selva amazônica por militares bolivianos assessorados pela CIA (EUA).
1968 - Tropas do Pacto de Varsóvia invadem a Tchecoslováquia e esmagam o movimento reformista liderado pelo então secretário-geral do Partido Comunista Tcheco (PCT), Alexander Dubcek. Este episódio ficaria conhecido como a "PRIMAVERA DE PRAGA".
Para justificar a invasão desse país, Brejnev anuncia "doutrina", segundo a qual as tropas do Pacto de Varsóvia poderiam intervir em qualquer país-membro daquela aliança onde o socialismo estivesse sendo ameaçado.
Em Paris e em outras importantes cidades do mundo, estudantes saem às ruas num amplo movimento "contra o sistema". O movimento escapa ao controle dos partidos comunistas e das organizações de esquerda tradicionais. Este episódio ficaria conhecido como "MAIO de 68 - PARIS".
Nos EUA, o líder negro pacifista MARTIN LUTHER KING é assassinado em Memphis (Tennessee).
No Brasil é decretado o AI-5 pelo general Costa e Silva.
1972 - O presidente dos EUA, Richard Nixon visita Pequim.
1973 - Derrotados pela guerrilha comunista, os Estados Unidos retiram-se do Vietnã.
No ORIENTE MÉDIO acontece a 4ª guerra entre árabes e israelenses (GUERRA DO YOM KIPPUR)
Ocorre o 1º choque do petróleo.
1975 = Comunistas tomam o poder no Cambodja, liderados por POL-POT, dirigente do Khmer Vermelho, (apoiado por Pequim).
No LAOS, os comunistas, tomam o poder (apoiados pelo Vietnã).
1977 - Após a morte de Mao Tsé-Tung, (em 1976), Deng Xiaoping, que havia "caído em desgraça" durante a Revolução Cultural, assume a liderança do PC chinês e começa as reformas econômicas liberalizantes na china.
Na Itália, na França e na Espanha, os partidos comunistas, que vinham atravessando uma profunda crise ideológica, lançam o chamado "Eurocomunismo", rejeitando a subordinação absoluta a Moscou e aos aspectos mais "duros" do leninismo.
1979 - O Vietnã (aliado de Moscou) invade o Cambodja e depõe, em janeiro, o regime do Khmer Vermelho, liderado por Pol Pot, (aliado de Pequim). De 1975, quando tomou o poder, até sua deposição, Pol Pot foi responsável pelo extermínio de um terço da população do país.
Em fevereiro, a China ataca o Vietnã, mas é rechaçada.
No ORIENTE MÉDIO, em 1º de abril, a REVOLUÇÃO ISLÂMICA torna-se vitoriosa no IRÃ.
Ocorre o 2º CHOQUE DO PETRÓLEO.
Nos EUA, Egito e Israel ratificam os Acordos de Paz de Camp David.
Em dezembro, tropas soviéticas invadem o Afeganistão para apoiar o governo pró-soviético de Cabul, na luta contra a guerrilha muçulmana apoiada pelos Estados Unidos.
1980 - Em agosto, liderado pelo operário eletricista católico Lech Walesa, é fundado na Polônia o Sindicato Solidariedade, o primeiro independente e de oposição, num país comunista.
Morre o presidente da Iugoslávia, Josip Broz Tito, o único líder com poder carismático suficientemente forte para manter a coesão desse país. Sua morte estimularia movimentos separatistas que se manifestariam com intensidade variável ao longo dos anos 80 e 90.
No ORIENTE MÉDIO, eclode a GUERRA IRÃ/IRAQUE (1980/88).
1981 - O general Wojciech Jaruzelski desfere um golpe de Estado na Polônia (13 de dezembro) e proscreve o Solidariedade, que passa a atuar na clandestinidade.
1982 - Morre Leonid Brejnev em novembro, sendo substituído pelo ex-chefe da KGB (Polícia Política), Iúri Andropov, na chefia do PCUS. Andropov defende reformas e "experimentos econômicos" limitados a algumas regiões da União Soviética, mas morre no início de 1984, sem tempo de colocar suas idéias em prática.
1983 - O presidente dos EUA, Ronald Reagan, anuncia o ambicioso projeto "Guerra nas Estrelas".
1984 - Morre Andropov, em fevereiro. Seu substituto, Konstantin Tchernenko, já assume o cargo em condições precárias de saúde. Analistas e historiadores acreditam que sua indicação tinha apenas o objetivo de dar tempo para que fosse decidida a luta interna pela sucessão no PCUS, desencadeada pela crise que já começava.
Resumidamente, as PRINCIPAIS RAZÕES DA CRISE SOVIÉTICA eram:

Externas:

o desenvolvimento capitalista da Terceira Revolução Industrial, liderando a produtividade em todas as áreas;
a corrida armamentista, obrigando os soviéticos a continuados gastos para preservar a correlação de forças bélicas e estratégicas;
pressões internacionais ininterruptas pela liberalização política soviética e de seus aliados e, ideologicamente, as cobranças pelos limites alcançados no bem-estar social quando comparado com as classes médias e altas das áreas desenvolvidas do capitalismo.

Internas:

a burocracia que entravava as inovações tecnológicas e a livre circulação de idéias e criatividade;
o centralismo político-econômico, que imprimia lentidão na tomada de decisões e implementação produtiva, contrastando com a rapidez e dinamismo dos países capitalistas fundados no lucro individual;
os enormes gastos exigidos pela Guerra Fria, seja na indústria bélica, seja para garantir Estados e grupos políticos aliados da URSS;
a limitada produtividade e baixa qualidade dos bens de consumo soviéticos ante as crescentes exigências sociais de consumo no interior da URSS e por parte de seus aliados.
1985 - Morre Tchernenko, em março, e Mikhail Gorbatchov assume a Secretaria-Geral do Partido. Começa a ser colocado em prática um amplo programa de profundas REFORMAS na URSS: a "PERESTRÓIKA" (reconstrução da Economia) e a "GLASNOST" (transparência na Política). As primeiras evidências dessas reformas foram: a diminuição da censura, a libertação dos dissidentes políticos ("subversivos") e outras medidas liberalizantes.
Gorbatchov proclama a moratória nuclear unilateral (a União Soviética compromete-se a suspender os testes nucleares subterrâneos, independentemente do comprometimento dos Estados Unidos).
1986 - No XXVII Congresso do PCUS, em fevereiro, Gorbatchov lança as linhas gerais de seu programa de reformas.
Em 26 de abril, o acidente na usina nuclear de Tchernobil (Ucrânia) libera perigosa nuvem radiativa que ameaça contaminar regiões imensas da União Soviética e da Europa. O acidente é tratado com abertura de informação sem precedentes na história da União Soviética. Seria a primeira grande prova da glasnost (transparência).
Gorbatchov telefona, pessoalmente, ao físico dissidente Andrei Sakharov, preso na cidade de Gorki, para anunciar sua libertação.
Nos EUA, estoura o escândalo IRÃ-CONTRAS, envolvendo o presidente Ronald Reagan em negociações secretas de vendas de armas ao Irã com repasse do dinheiro para os Contras, da Nicarágua.
1987 - Surgem, na cúpula do PCUS, as primeiras divergências públicas sobre os rumos, ritmos e prazos da perestroika. Numa sessão plenária do Comitê Central do PCUS, em novembro, Bóris Iéltsin critica os "burocratas" do partido, em particular Igor Ligatchov, e pede maior rapidez e radicalismo nas reformas. Nos meses seguintes, Iéltsin perderia seus cargos de chefe do comitê municipal do PCUS em Moscou e de membro-candidato do Politburo.
1988 - Em clima inédito de liberdade de discussão realiza-se, em junho/julho, a XIX Conferência do PCUS. As resoluções enfatizam a necessidade de ser criado um "estado de direito" no país; apontam para a desburocratização do partido e do Estado para a instauração do "pluralismo socialista" (isto é, liberdade de discussão, mas somente entre os membros do PCUS) e a necessidade de democratizar as relações étnicas.
Em agosto, o Exército Vermelho começa a retirar-se do Afeganistão sem que seus objetivos tenham sido alcançados. A saída das tropas seria completada em fevereiro de 1989, após 10 anos de guerra, que causou pelo menos 15 mil mortes entre os soviéticos e 1 milhão entre os afegãos.
Na Estônia, um movimento ecológico é o estopim para a organização nacionalista Frente Popular, que estimularia movimentos semelhantes na Letônia e na Lituânia, espalhando-se, em seguida, ao Cáucaso (Armênia, Geórgia e Azerbaijão) e depois às demais repúblicas.
A Igreja Ortodoxa tem permissão para comemorar o milésimo aniversário de sua fundação na Rússia, com festas e comemorações em Moscou e no interior do país.
Os costumes começam a ser radicalmente modificados, com a permissão de grandes shows de rock, concursos de beleza e transparência informativa. Temas como prostituição e droga, antes considerados tabu, são livremente debatidos na imprensa e na tevê.
Na Polônia, o Solidariedade conquista a legalidade, colocando um fim à lei marcial decretada em dezembro de 1981.
1989 - Realizam-se, em 26 de março, as eleições ao Congresso dos Deputados do Povo (CDP). Participam e são eleitos antigos dissidentes, como Andrei Sakharov e Roy Medevedev. Iéltsin obtém 90% dos votos em Moscou.
A primeira sessão do CDP, em 25 de maio, atrai as atenções do país. Um deputado pede o desmantelamento da KGB diante das câmeras de televisão. Gorbatchov é eleito presidente, e Iéltsin forma um bloco parlamentar de oposição. Desenvolve-se um processo irreversível de liberdade política.
Gorbatchov viaja à China em 14 de maio para reatar relações rompidas desde 1960. Em Pequim, apoia discretamente a luta dos estudantes chineses pela democracia.
Em 4 de junho, o governo chinês ordena o massacre de 2 mil estudantes que lutavam pela democracia, acampados na Praça da Paz Celestial (MASSACRE DA PAZ CELESTIAL).
Em setembro, o Vietnã retira-se do Cambodja, conforme acordo estabelecido entre Gorbatchov e Deng Xiaoping.
A União Soviética reduz drasticamente o número de seus soldados estacionados na fronteira de 7.500 quilômetros com a China.
Em outubro, uma visita de Gorbatchov a Berlim Oriental estimula, (como já havia acontecido antes em Pequim), grandes manifestações de protesto contra o regime de Erich Honecker, dirigente comunista da Alemanha Oriental.
Em 9 de novembro, as manifestações assumiram caráter irreversível, levando à queda do Muro de Berlim.
Com a anuência de Moscou, todos os regimes burocráticos do Leste europeu são derrubados. Na Romênia, Nicolai Ceaucescu é fuzilado, em 25 de dezembro, como resultado de uma revolução sangrenta que liquidou seu regime.
Em dezembro, Gorbatchov reúne-se, sucessivamente, com o papa João Paulo II (dia 1º, no Vaticano), com o presidente norte-americano George Bush (dias 2 e 3, em Malta, uma ilha no Mediterrâneo) e com o presidente francês François Mitterrand (dia 6, em Kiev, na Ucrânia). Começa a nascer a nova ordem mundial.
1990 - É dissolvido o Comecon. Piora a situação social, política e econômica da União Soviética. Os movimentos pela independência nacional envolvem todas as repúblicas do Báltico, e também a Ucrânia, a Bielorússia (atual Bielarus), a Moldávia (atual Moldova) e a Geórgia.
Na ÁFRICA DO SUL é libertado o líder negro NELSON MANDELA.
Em março, o CDP REVOGA o artigo 6º da Constituição, que garantia a DITADURA DO PARTIDO único na União Soviética.
Os burocratas e generais "linha dura" ampliam seus ataques a Gorbatchov que, no XXVIII Congresso do PCUS, em julho, é acusado de ter "capitulado sem combate" diante do imperialismo, ao ter "abandonado" o Leste Europeu. Gorbatchov faz, durante o congresso, um acordo com os "centristas", isolando os extremistas de "esquerda" (isto é, os reformistas chefiados por Iéltsin) e de "direita" (os burocratas liderados por Ligatchov).
Iéltsin, recém-eleito à Presidência da Rússia pelo Parlamento daquela república, rompe com o PCUS, atitude que seria adotada por vários reformistas importantes.
Ligatchov abandona a política e diz que vai escrever suas memórias na Sibéria.
Saddam Hussein (IRAQUE) invade o KUWAIT.
Gorbatchov assina, em setembro, um acordo que permite a reunificação da Alemanha.
3 de outubro: Finalmente acontece a reunificação da Alemanha.
Reúne-se em novembro, em Paris, a Conferência para a Segurança e Cooperação na Europa (CSCE), que discute os contornos de uma Casa Comum Européia (isto é, uma "Europa unida do Atlântico ao Pacífico", nas palavras de Gorbatchov). Gorbatchov adverte para o perigo de uma "libanização da Europa", isto é, a fragmentação de Estados sob o impacto de problemas nacionais, como os vividos pela União Soviética.
Em 20 de dezembro, o chanceler soviético Eduard Shevardnadze renuncia ao cargo e denuncia a "marcha da ditadura que se aproxima" na União Soviética.
Começam a ganhar força movimentos separatistas na Croácia, na Eslovênia (duas das seis repúblicas da Iugoslávia) e na Tcheco-Eslováquia.
1991 - Em janeiro, no ORIENTE MÉDIO, ocorre a Guerra do Golfo (IRAQUE x KUWAIT/EUA).
Em abril é dissolvido o Pacto de Varsóvia.
Em maio, Bóris Iéltsin é eleito presidente da Rússia em eleições livres, diretas e secretas.
Gorbatchov afasta-se dos comunistas ortodoxos e se dispõe a assinar o TRATADO DA UNIÃO, que concedia ampla autonomia a todas as repúblicas da União Soviética.
Em junho, o presidente dos EUA, GEORGE BUSH, anuncia a "INICIATIVA PARA AS AMÉRICAS".
Em julho, Gorbatchov participa como convidado, em Londres, de uma reunião com os países-membros do G-7 (os sete capitalistas, mais ricos). Voltando a Moscou, durante uma sessão plenária do Comitê Central, ele afirma que o marxismo é apenas "uma das contribuições" utilizadas pelo PCUS na formulação de seu programa.
Em 19 de agosto, um dia antes da assinatura do Tratado da União, os burocratas SOVIÉTICOS dão um golpe e afastam Gorbatchov, que estava em férias na Criméia.
Iéltsin, apoiado por milhares de pessoas nas ruas de Moscou, resiste. O golpe fracassa. A cúpula golpista se desmoraliza, e os manifestantes destroem os símbolos do comunismo.
GORBATCHOV DISSOLVE O PCUS E O ESTADO REQUISITA AS SUAS PROPRIEDADES DESSE PARTIDO. O Parlamento soviético declara o Partido suspenso por tempo indeterminado.
Em setembro, a União Soviética é desintegrada, todas as suas repúblicas já declararam independência. Gorbatchov quer que a URSS se transforme numa União de Estados Soberanos, mas é vencido por Iéltsin, que propõe a criação da Comunidade de Estados Independentes (CEI - Acordo de Minsk), partindo de uma iniciativa do "núcleo eslavo’ (Rússia, Ucrânia e Bielorrússia/atual Belarus). A CEI será integrada por todas as repúblicas que compunham a URSS, com exceção das repúblicas bálticas (Estônia, Letônia e Lituânia), já independentes e da Geórgia.
O PARLAMENTO SOVIÉTICO É EXTINTO (16 DE DEZEMBRO). GORBATCHÓV RENUNCIA À PRESIDÊNCIA (25 DE DEZEMBRO). A UNIÃO SOVIÉTICA DEIXA OFICIALMENTE DE EXISTIR (25 DE DEZEMBRO, MEIA-NOITE).
A Croácia e a Eslovênia proclamam sua independência da Iugoslávia, dando início à guerra civil que irá se intensificar mais na Bósnia-Herzegovina.
1992 - É criada a UNIÃO EUROPÉIA, uma zona de livre comércio entre os países
da Europa Ocidental.
Os EUA invadem a SOMÁLIA (no Chifre da África).
1993 - A GEÓRGIA TAMBÉM INGRESSA NA CEI.
Em Whashington, o 1º ministro israelense YITZHAK RABIN e o líder da OLP, IASSER ARAFAT, assinam um ACORDO DE PAZ.
1994 - A Chechênia proclama sua independência e é invadida pelas tropas russas.
Na América do Norte é criado o NAFTA (Acordo de Livre Comércio da América do Norte).
1995 = Na América do Sul entra em vigor o MERCOSUL (Mercado Comum do Sul).
1996 = Em 3 de julho, Iéltsin é reeleito presidente da Federação Russa (ou, Rússia).
Fonte: www.rainhadapaz.g12.br
Historia da Russia

Desdobrando-se por dois continentes, Europa e Ásia, a Federação Russa surge como a maior nação do mundo, marcada por ambigüidades e contrastes. Berço de exaltada espiritualidade e de profundo teismo, quando Moscou assumiu a herança de Constantinopla e se fez Terceira Roma, o país também viveu um entranhado ateísmo estatal quando cenário da primeira Revolução Socialista da história; à paisagem predominantemente plana - ¾ do território é constituído de planícies e vales - conjuga-se a elevação majestosa dos Urais, com altitudes que ultrapassam os cinco mil metros; a centros urbanos e reluzentes como Moscou e São Petersburgo associam-se as regiões inóspitas e as planícies geladas da Sibéria, " casa dos mortos" das recordações de Dostoievski; aos cerca de 120 mil rios que cortam a vastidão territorial junta-se a carência de saída para águas navegáveis; à longa costa regelada nos mares Glacial Ártico e de Bhering vinculam-se praias de sol e águas cristalinas na costa do Mar Negro; à contemplação passiva e silenciosa da Igreja Ortodoxa emparelha-se o ativismo revolucionário dos partidos operários. Assim é a Rússia: desertos e taigás, dachas e metrópoles, amor e militância, guerra e paz convivem na imensidão de seu território, provocando e convocando ao desvelamento de seus mistérios e encantos . Sua história tem início com o estabelecimento, no território, por volta do século IX, de guerreiros e comerciantes da Escandinávia, os chamados Väringer, conhecidos como Vikings. Estes combatiam o povo local - os rus - e utilizavam os vencidos como escravos, slavs. Atribuem-se a esses invasores escandinavos a cunhagem e adaptação dos termos russo e eslavo.
O primeiro estado eslavo na região foi o Rus de Kiev, que se estendia do Dnieper até os grandes lagos. No século XI,o principado de Kiev foi dividido em vários estados, surgindo, então, outros centros urbanos importantes, como Novgorod, Souzdal e Galícia Volynia. No século XIII, a Rússia foi invadida pelos mongóis, bandos de invasores nômades, liderados por Gêngis Khan. Depois de esmagarem a resistência das cidades separadas, as hordas invasoras promoveram enorme devastação, arruinando o fruto de séculos de trabalho, e exerceram um domínio de mais de dois séculos sobre a vida política e cultural do povo. Batu Khan, neto de Gêngis Khan, foi o responsável pela consolidação do império mongol na Rússia. Seu avô divididiu o império em quatro partes e coube a ele a parte norte; em 1242 ele estabeleceu a famosa Horda de Ouro, estado mongol formado pelo sul e leste russos. Há quem diga que a invasão mongólica foi "a experiência mais traumática do povo russo".
De 1240 a 1242, Daniel, filho do príncipe Alexandre Iaroslavitch Nevski, deteve as tentativas de invasão de Novgorod por parte dos germânicos; mas, com a derrota ante os lituanos, a hegemonia do principado de Novgorod chegou ao fim em 1370. Moscou passou a ser o centro da nação russa. Para isso contribuem as lutas sucessórias da Horda de Ouro e a tomada de Constantinopla pelos turcos. Este último acontecimento fez de Moscou a capital do cristianismo ortodoxo.
No século XVI, Ivan IV, o Terrível, casado com Anastácia, dos Romanov, consolidou o absolutismo na Rússia e implantou uma política expansionista. Assumiu o título de Czar ou Tzar, organizou um exército regular, submeteu os boiardos à centralização do estado e expandiu o domínio de Moscou. Boris Godunov, seu cunhado e sucessor, apoiado na igreja, deu continuidade a sua política. Com a morte de Godunov, instalou-se uma crise sucessória. Os boiardos, se aproveitando da situação vigente, estimularam rebeliões no campo e apoiaram a invasão polonesa. Em 1612 os poloneses foram expulsos e uma assembléia elegeu o Czar Mikhail Romanov (1596-1645). Essa dinastia permaneceu no trono russo até o final do regime monárquico em 1917. Com os Romanov teve início um período de crescimento que culminou com a elevação da Rússia ao estatuto de grande potência sob o domínio de Pedro, O Grande.
Pedro promoveu um amplo programa de modernização e fundou São Petersburgo que, em 1712 se tornou a capital do império. Estimulou a indústria, o comércio, a colonização e a vinda de artesãos, artistas e literatos.
Em 1762, assumiu o poder Catarina II. Ela reforçou ainda mais o absolutismo do poder russo e promoveu a anexação de várias regiões. Com o apoio da Igreja Ortodoxa, governou com poder absoluto. No seu reinado, juntamente com a Áustria e a Prússia, a Rússia participou da partilha da Polônia, transformando-se na maior potência da Europa Oriental. Embora amiga de vários expoentes do iluminismo, Catarina era adversária da Revolução Francesa. Após a sua morte, seu filho, Paulo, sucedeu-a. Foi, entretanto, assassinado em 1801 e substituído pelo filho, Alexandre I, que recusou aliar-se ao império napoleônico. Em 1812, a Rússia foi invadida pelas forças militares do imperador corso. Os russos incendiaram Smolensk, destruindo tudo que fosse de utilidade para os invasores. Depois da Batalha de Borodino, Napoleão ocupou Moscou e se alojou no Kremlin. os russos, então, atearam fogo na cidade, destruindo tudo e obrigando as tropas francesas a bater em retirada. Durante cinco dias Moscou ardeu em chamas. Sucumbindo à neve, ao frio intenso, a falta de alimentos e aos constantes ataques dos russos, os franceses protagonizaram uma das retiradas mais dramáticas da história universal. Cadáveres de soldados povoaram as desérticas estepes da Russia, e os que conseguiam atravessar as fronteiras alemãs chegavam em condições sub-humanas, maltrapilhos , exaustos e famintos.
No final do século XIX a industrialização provocou o surgimento dos centros urbanos e dos grupos de inspiração marxista, como o Partido Operário Social Democrata Russo.
No início do século seguinte, em março de 1917, uma revolução, liderada por um grupo moderado do partido, os mencheviques, derrubou Nicolau II e instaurou uma república parlamentar. Formarm-se os sovietes, assembléias de operários camponeses influenciados pelos bolcheviques, ala radical do Partido Operário que vai dar origem ao Partido Comunista. O desprestígio dos mencheviques por insistirem na participação da Rússia na I Guerra os faz perder o apoio popular, fato que dá a Lênin, líder bolchevique, a oportunidade de comandar uma insurreição e instaurar um governo revolucionário. Depois de quatro anos de Guerra Civil, Lênin assume o domínio sobre o País, auxiliado pelo Exército Vermelho, criado por Trotsky. Morre em 1924 e é Stalin que vai assumir o controle do PC e do governo soviético. Durante 31 anos o stalinismo vigorou na Rússia, estabelecendo um período de terror e de arbitrariedades. Milhares de pessoas foram dizimadas em campos de trabalho e morte, antigos dirigentes bolcheviques foram condenados à deportação ou ao fuzilamento sumário; perseguições e forte repressão atingiram os presumidos opositores do regime. Em 1943, entretanto, Stalin impede o avanço das tropas alemãs em território russo, na famosa Batalha de Stalingrado. Em 1945, a Rússia emerge como a maior potência do mundo, submetendo o Leste europeu. Os Estados Unidos reagiram ao poder soviético, o que dividiu o mundo em dois blocos rivais. Esta reação desencadeou a chamada Guerra Fria. Esse confronto quase levou o mundo a uma guerra nuclear em 1962, quando, no governo de Kruchev, que sucedeu Stalin, a Rússia pretendeu instalar mísseis em Cuba.
Kruchev promoveu uma moderada abertura política e denunciou os crimes do período stalinista. Um golpe, levado a efeito em 1964, coloca no poder Leonid Brejnev. Brejnev reprime o processo de democratização da Tchecoslováquia, conhecido como Primavera de Praga. E em 1978 invade o Afganistão, decidido a intervir militarmente onde houvesse qualquer ameaça ao modelo soviético. Sucederam Brejnev, que morreu em 1982, Yuri Andropov e Konstantin Tchernenko, que também morrem após pouco tempo de governo. Em 1985, assumiu o poder russo Mikhail Gorbachev, que deu início 'as reformas que levariam ao fim da União Soviética: a Glasnost ( transparência) e a Perestroika ( reestruturação).
Em agosto de 1991, Boris Ieltsin sufoca um golpe ensaiado contra Gorbachev por forças conservadoras. Sai fortalecido, mas contribui para o desgaste da autoridade de Gorbachev, que renunciou em dezembro de 1991. Ieltsin é eleito presidente e reeleito em 1996. Em agosto desse ano, Ieltsin nomeia Putin , egresso do serviço secreto russo, para a chefia do governo. Em setembro, Putin ordena a segunda invasão da Chechênia e se torna forte candidato a sucessão. Em março de 2000, com 52, 94% dos votos, Putin vence as eleições presidenciais na Rússia.
Fonte: www.ayasofya.com.br



Historia da Russia

Os Eslovenos

Perante a chegada dos vikings, os eslovenos se uniram criando, no século IX, seu próprio domínio desde o que se extenderam a Kiev, ocupando as atuais Bielorrusia, Ucrânia e parte de Rússia. A Rus de Kiev foi adquirindo cada vez mais poder vencendo os czares, chegando inclusive a ameaçar o Império Bizantino. No ano 988, a Rússia se converte ao cristianismo, propiciando o aproximamento com os estados europeus e a criação de uma autêntica cultura russa, herdeira da eslava, do alfabeto cirílico, que segue funcionando em nossos dias e das influências de Bizâncio, que decai ostenssivelmente, a partir de 1054, quando se rompem as relações entre Roma e o Império Bizantino. Esta ruptura consiguiu que o isolamento fosse maior potenciando as relações interiores entre Igreja e Estado durante o governo de Yaroslav o Sábio. Depois do seu falecimento, se produziu uma fragmentação do poder e do território.

A Presença dos Tártaros e os Czares

Outras cidades tomam o relevo sendo Vladimir a mais importante e, desde a que se empreende a união do território russo. O príncipe governante em Vladimir, Yuri Dolgoruki, é o fundador de Moscou, no ano de 1156. As lutas entre os russos favoreceram a invasão dos tártaros, que se instalaram em Saraj. Moscou foi um fiel aliado dos invasores, pelo que consiguiu aumentar seu poder, além de que sua situação geográfica influiu, pois se encontrava no centro pelo que passavam todas as rotas comerciais com Ásia. Este apoio finalizou no século XV em que Moscou derrota às forças tártaras, se anexa Novgorod, deixa de pagar o tributo ao Kam e reconquista os terrenos ocupados pelos lituanos. Uma vez consolidado o território, era necessário consolidar a economia, assim os camponenses tinham que pagar cada vez mais impostos e em troca obtinham leis que concediam cada vez menos direitos em favor de seus senhores, chegando a converter-se em servos da gleba. Por outra parte, os governantes deixaram de lado à antiga aristocracia, para outorgar a propriedade das terras aqueles homems que não duvidaram em combater a seu lado, acabando assim com as heranças. Ivam III se autoproclamou Czar no século XVI, convertendo seu reinado no último bastão ortodoxo do mundo. Seu sucessor Ivam IV, conhecido mundialmente como O Terrível, consiguiu consolidar o poder autocrático dos Czares de maneira indiscutível através de contínuas guerras e de um acaso contra os boyardos, membros da antiga aristocracia. Com sua morte, Moscou se encontrava seriamente debilitada, em todos os aspectos.
A sucessão de Ivam o Terrível deu lugar a numerosos conflitos internos que não se resolveram até 1613, com o nomeamento de Mijail Romanov, cujos descendentes governaram Rússia até 1917. Durante este período os camponenses empenharam ainda mais sua condição, se conquistou Sibéria, anexaram parte de Ucrânia e Kiev, se produziram múltiplos conflitos bélicos e religiosos e se incrementou a abertura para ocidente da mão de Pedro I o Grande de uma maneira absolutamente sanguinária. No interior do país se promulgaram leis, que condenavam com a morte aquelas pessoas, que não vistissem roupas ocidentais ou não aparassem suas barbas e desapropiaram a maior parte dos bens da Igreja ortodoxa. Transladou a capital do estado a uma cidade recentemente criada, São Petersburgo. Com a morte do Czar em 1725 chegou o conhecido como reinado das czarina s, que supôs uma volta às tradições e a consolidação da Rússia como potência mundial.

O século XIX

O século XIX se inicia com o nomeamento de Alexandre I como Czar. Foi ele quem consiguiu vencer a invasão das tropas de Napoleão, em 1812, graças ao duro inverno russo. Seus sucessores continuaram com as guerras expansionistas, enquanto no interior, além de uma tentativa de abolir a servidão da gleba, por parte de Alexandre II que morreu assassinado, a situação se deteriorava cada vez mais. A princípios do século XX se sucedem as lutas revolucionárias que obrigam a Nicolás II a outorgar uma constituição em 1906. Ao estourar a Primera Guerra Mundial, Rússia se alia com Inglaterra e França, desde o primeiro momento, sofrendo a invasão de Polônia pelas tropas alemãs.

O Comunismo e a Segunda Guerra Mundial

Em 1917 se inicia a Revolução Russa que acabou, com o poder dos czares e a transformação do país na União de Repúblicas Socialistas Soviéticas. Com a morte de Lenim em 1924, a economia sofre um forte retrocesso, enquanto que o governo passa a manos da troika, Kamenev, Zinoviev e Stalin. Este último consegue fazer-se com o poder, expulsando os outros dois membros da troika. Durante este período a economia russa se revitaliza através de uma forte industrialização, posta em marcha do primeiro plano quinquenal e a estabilização da relações diplomáticas que culminaram com sua entrada na Sociedade de Nações em 1934. De 1936 a 1938 Stalim realiza uma minuciosa depuração do regime, acabando com qualquer mostra de dissidência para seu labor, leva a cabo o II plano quinquenal e põe em marcha o III que é interrompido pela invasão alemã na Segunda Guerra Mundial que ao finalizar divide o poder político mundial em dois bandos: Estados Unidos e Rússia, iniciando-se a Guerra Fria.

Depois da morte de Stalin

Com a morte de Stalim em 1953 a diplomacia russa adquire uma importância enorme, cujo objetivo é conseguir a coexistência pacífica das potências. Não foi fácil, entre outros incidentes o muro de Berlim em 1961 e a crise de Cuba, em 1962, estiveram a ponto de ocasionar uma guerra que teria efeitos catastróficos. Com a chegada de Brezhnev, em 1964, se inicia uma intensificação de relações com outros países do Leste, seguindo a linha marxista mais pura. A situação mundial se tensiona cada vez mais, China começa um processo de abertura para o capitalismo que não gosta nada à URSS, a invasão do Afganistão provoca uma séria crise com Estados Unidos que se agrava ainda mais com a instalação em 1983 dos primeiros mísseis em solo europeu, para potenciar a política de força comandada pelo Presidente Reagan. Andropov e Chernenko continuam na mesma linha, mas com a chegada ao governo russo de Gorvachov em 1985, tudo começa a mudar.

O princípio da mudança

Os presidentes russo e norte americano, Gorvachov e Reagan, se reunem por primeira vez em Genebra em novembro de 1985. Os frutos se percebem claramente, no interior da União Soviética se produz uma clara abertura assim como uma menor pressão para o resto dos países do Leste. No exterior as relações diplomáticas com ocidente melhoram notavelmente, culminando com a assinatura da eliminação dos euromísseis e a retirada das tropas russas do Afganistão. Porém, esta abertura não foi fácil para Gorvachov, múltiplas críticas do setor mais reacionário, movimentos independentistas em distintas repúblicas e o Golpe de Estado falido de 1991, que acabou com a proibição do Partido Comunista da União Soviética, diminuiu notavelmente sua credibilidade no interior do país, a favor de Boris Yeltsin, atual presidente russo. Gorvachov demitiu-se no dia 15 dezembro de 1991, criando-se o dia 21 desse mesmo mês a Comunidade dos Estados independentes. A CEI está composta por 11 repúblicas da antiga URSS: Armênia, Azerbaiyão, Bielorrusia, Kazajstán, Kirguizistán, Moldavia, Rússia, Tadzhikistán, Turkmenistán, Ucrânia e Uzbekistán. Nos acordos de constituição todas elas cediaram a Rússia o controle do armamento nuclear estratégico e Bielorrusia e Ucrânia assinaram o Tratado de Não Proliferação Nuclear comprometendo-se a eliminar as armas nucleares de seu território.

A Consolidação da Rússia

O 1 de abril de 1992 o Parlamento Ruso celebra sua primeira sessão após a disolução da URSS. Dois mêses mais tarde o Fundo Monetário Internacional admite à Federação Russa como membro de pleno direito. Nesse mesmo mês de junho o Presidente Russo, Boris Yelstin e o norte americano, George Bush chegam a um acordo em Washington sobre o Tratado de Redução de Armas Estratégicas. Um ano mais tarde é assinado em Moscou o Segundo Tratado de Reducção de Armas Estratégicas.
O 21 de setembro de 1993 Yeltsin dissolve o Parlamento russo e convoca eleições para o 11-12 de dezembro com objeto de constituir uma nova assembléia legislativa. Horas depois desta dissolução o Parlamento declara esta ação como um golpe de estado do Presidente russo e o depõe do cargo tomando juramento a Aleksandr. V. Rutskoi como presidente atuante. Tanto os integrantes do governo como o Presidente norte americano Bill Clinton e todas as Repúblicas que compõem a CEI expressam seu apoio a Boris Yelstin. O 4 de outubro as forças armadas tomam o edifício do Parlamento após vários dias de graves enfrentamentos. O 8 de novembro Yelstin assina o projeto para uma nova Constitução russa que agranda os poderes do ejecutivo e restringe o período presidencial a quatro anos; esta constituição deve ser ratificada pelo menos pelo 50 % do povo russo nas eleições do 10 dezembro. Nestas eleições se aprova a nova constituição que entra em vigor o 21 de dezembro enquanto que atinge a maioria no Parlamento o Partido Liberal Democrático, chefiado por Vladimir Zhirinovski com um 24 % dos votos.
O 28 de janeiro de 1994 a Rússia e a OTAN assinam um programa de cooperação. Nas eleições de 1996 apesar de seu delicado estado de saúde consegue de novo a vitória Boris Yelstim, quem continuara como Chefe do Estado e do Governo russo até o mês de julho do ano 2000.
Na atualidade o presidente de Ucrânia é Leonid Kuchma, sendo o primeiro ministro Pavlo Lazarenko.
Fonte: www.rumbo.com.br


A História da Russia

Rússia: do fim do Comunismo a crise atual

Nenhum país recentemente passou por uma transformação tão profunda e radical como a Rússia de hoje. Abandonou um regime político-econômico que perdurou por mais de 70 anos, o do Socialismo, e lançou-se em reformas que visavam alterar sua própria essência. Foi uma imensa operação de reversão econômica de um modelo estatizante, baseado na propriedade coletiva dos meios de produção e no planejamento econômico centralizado, para um sistema oposto, o do Capitalismo laissez-faire. Adotaram como modelo, o estado liberal ocidental, onde o intervencionismo reduz-se a um mínimo e as propriedades estatais foram entregues ao controle e administração privados.
As reformas na Rússia ganharam amplo apoio, político e financeiro, dos principais países capitalistas ocidentais em função delas visarem a absorção dela ao sistema capitalista mundial, por sugestão da França fundou-se, em 1989, o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento, para amparar as transformações que estavam ocorrendo no Leste europeu. Foram estendidos à Rússia e ao governo de Boris Yeltsin generosos empréstimos que permitiram que ele sobrevivesse politicamente às naturais turbulências do processo. Tudo indica que com a crise asiática e a generalização dos seus efeitos, a Rússia marcha para uma depressão econômica. Tendo uma das maiores reservas do mundo de petróleo, gás, minerais e demais produtos estratégicos (com os quais paga suas dívidas e paga suas importações), qualquer abalo que ela sofra faz com que as economias dos países ricos também se afetem e sintam-se ameaçadas.

A Era das Reformas: a glasnost e a perestroika

As grandes modificações porque a Rússia passou recentemente tiveram seu inicio durante o 27º Congresso do Partido Comunista da URSS, realizado em 1986. No seu informe, o então secretário-geral do partido Mikhail Gorbachev anunciou a necessidade de uma profunda modificação nas estruturas do pais. Segundo ele a URSS dirigia-se para a atrofia tecnologica, para uma petrificação que a deixaria vulnerável na sua competição com os E.U.A.
Apesar de seus sucesso em armas atômicas e na conquista espacial ela, visivelmente, perdia a corrida da informática, da computação e da robotização. Os altos custos da industria bélica ( a URSS, muito mais pobre do que os EUA era obrigada a gastar as mesmas somas em gastos militares) faziam com que a população fosse sacrificada no seu bem estar. Além disso escasseavam recursos para modernizar e fazer avançar outros setores chaves do desenvolvimento.
Agravaram-se, aos problemas de ordem técnica, os de origem ideológica. A mística oficial do regime comunista não exercia mais qualquer entusiasmo na população. Nem dentro nem fora da URSS. O cinismo virou uma segunda natureza dos cidadãos. A rebelião do Sindicato Solidariedade na Polônia nos anos 70-80 mostrou que até a base histórica do movimento - os trabalhadores fabris - abandonavam em massa o comunismo e que ele só se mantinha pelo uso da força (como ocorreu na decretação da ditadura pelo gen. Jaruzelvski em dezembro de 1981).
Prevendo futuras fraturas nos países integrantes do Bloco Soviético ( URSS, Polônia, Romênia, Bulgária, Hungria, Checoslováquia e Alemanha Oriental) Gorbachev propôs o que se chamou de “Doutrina Sinatra”. Dali em diante cada pais acharia seu próprio caminho (My Way) para permanecer ou não socialista, escolhendo ficar ou não dentro do Bloco Soviético.
O resultado não se fez esperar. Na noite de 9 de novembro de 1989, depois de crescentes manifestações que obrigaram o regime da RDA (Alemanha Oriental) a capitular, milhares de alemães começaram a demolir o Muro de Berlim que separava a ex-capital da Alemanha desde 1961. Enquanto isto sucediam-se as transições, ora pacíficas (como na Checoslováquia e Hungria) ora violentas (como na Romênia e na Iugoslávia, que apesar de república socialista, não fazia parte do Bloco do Leste, tendo uma politica autônoma, independente da OTAN e do Pacto de Varsóvia. Não conseguiu porém evitar que a desaparição do partido comunista provocasse a explosão separatista que a tem infelicitado desde 1990.) dos regimes comunistas para os democráticos. O desmoronamento da parte ocidental do Bloco Soviético, os então chamados países-satélites, pôs fim ao Pacto de Varsóvia e ao seu sistema defensivo, corroendo, dois anos depois, a própria estrutura interna da URSS.

Síntese das transformações no Leste Europeu

Alemanha

O governo comunista alemão-oriental abre o Muro de Berlim em 9 de novembro de 1989. Inicia-se a sua demolição. No dia 3 de outubro de 1990, o Parlamento alemão ( Bundestag) celebra a unificação nacional. Desaparece o regime comunista e a RDA ( Republica democrática alemã)

Bulgária

Renúncia do ditador comunista Todor Zhivkov em 10 de novembro de 1989, que estava 35 anos no poder. As posições de poder do PC búlgaro são revogadas em janeiro de 1990.
Hungria Em outubro de 1989 ocorre a dissolução do PC húngaro. Tropas soviéticas evacuam do pais em 19 de junho de 1991.

Polônia

O Sindicato Solidariedade faz um acordo com o governo comunista em 5 de abril de 1989 para eleições gerais. Em 4 de junho de 1990, Lech Walesa líder do Solidariedade torna-se presidente da Polônia

Romênia

O Conselho de Salvação nacional anuncia, em 22 de dezembro de 1989, a derrubada da ditadura comunista de N. Ceausescu (fuzilado no dia 25 de dezembro de 1989)

Tchecoslováquia

“Revolução de Veludo”; o movimento democrático Foro Cívico liderado por Václav Havel força a capitulação do PC tcheco. Havel foi eleito presidente provisório da republica tchecoslovaca em 29 de dezembro de 1989.

A Glasnost

Internamente a reforma de Gorbachev visou sacudir de alto a baixo o pesado aparato do partido comunista, há mais de 70 anos no poder. Para tanto imaginou fazer com que as decisões dos altos chefes adquirissem “transparência” (glasnost em russo), a fim de que o povo russo, completamente à margem das deliberações, tivesse uma participação mais eficiente e democrática no controle e vigilância do governo. Realizou para tanto uma série de modificações nas bases e outras instituições comunistas, privilegiando as decisões majoritárias e não mais as tomadas apenas pelas chefias.
Abrindo o regime ele permitiria que uma lufada renovadora arejasse seus quadros para mudar-lhes a mentalidade e suas práticas. As lideranças partidárias e administrativas teriam que aprender a não mais celebrar reuniões sigilosas ou secretas. Todos estariam dali em diante submetidos aos olhos do público, como se o povo os visse através de uma vitrine. Evidentemente que essa politica encontrou sérias resistencias por parte da nomenklatura, a casta de funcionários dos escalões médios e superiores que não se identificavam com as transformações e que, consequentemente, as sabotavam.

As Razões Externas

Evidentemente que o processo de reformas foi fortemente motivado pelo que se chamou de a segunda guerra fria declarada pelo presidente Ronald Reagan. Reagan um republicano conservador, cujo mandato estendeu-se de 1980 a 1988, acreditava que a URSS era o “Império do Mal” e que devia ser submetida a uma intensa pressão para que se rendesse. Lançou para tanto, em 1982, o projeto denominado de Iniciativa de Defesa Estratégica, apelidado de “Guerra das Estrelas” (Star Wars), que compreendia a militarização da estratosfera terrestre. Um multimilionário e complexo sistema de estações orbitais, satélites e mísseis que seriam deslocados para o espaço para dali prevenir ou iniciar uma guerra total contra a URSS. Somente para a pesquisa inicial Reagan solicitou uma verba de 26 bilhões de dólares.
Gorbachev sabedor que a URSS não tinha recursos para lançar-se em tal aventura inclinou-se por aceitar uma acordo de paz. Visivelmente a URSS sentiu ter perdido a guerra fria, que já se arrastava por mais de 40 anos, a World Watch, uma organização não-governamental calculou que os gastos militares entre 1948-88 atingiram a cifra de U$ 17 trilhões de dólares.

A perestroika

A abertura política que resultara da adoção da glasnost - da transparência - por si só não bastava. Era necessário retirar a economia soviética do marasmo, herdado do longo governo de Brejnev (1964-1982). Reformas urgentes deviam complementá-la. Maior autonomia foi dada às direções e às administrações das fábricas e minas e demais empresas que, dali em diante, foram estimuladas a executar seus planos de produção independentes da gerência central. A intenção era esvaziar o todo-poderoso Ministério do Planejamento (o Gosplan) responsável pela elaboração e execução dos Planos Qüinqüenais, descentralizando a política administrativa.
A ênfase dos gastos da perestroika - a restruturação - recairia sobre os bens de consumo e a informática. Para tal elaborou-se o Plano de 500 dias que previa a formação de uma economia mista, estatal-privada, em 4 estágios. Era preciso transferir os recursos da insaciável industria bélica e da KGB, que absorvia quase a totalidade do orçamento da república, para outros setores que contemplassem o bem-estar do cidadão comum (habitação, saneamento, transporte, etc..), além dos acima citados.
Gorbachev manifestou, num célebre discurso, sua estranheza pela contradição inerente à economia soviética: ela era capaz de desenvolver técnicas que permitira a um satélite fotografar o lado obscuro do planeta Marte e, no entanto, incompetente em produzir um bem de consumo durável e de qualidade. Nenhum aparelho doméstico russo merecia a confiança dos consumidores.

O desabamento da URSS

As reformas de Gorbachev expuseram uma realidade. O regime comunista era irreformável. O imenso aparelho burocrático-militar ossificara-se a tal ponto que não mostrou nenhuma flexibilidade que lhe permitisse conviver com alterações e modificações substanciais. Quando buliram nele ele ruiu. A glasnost e a perestroika monstraram sua imensa fragilidade atrás da sua aparência maciça.
Em 19 de agosto de 1991 as velhas forças políticas concentradas em altos escalões do Partido Comunista e da Policia Secreta (KGB) ensaiaram um golpe de estado para depor Gorbachev. Os tanques dirigiram-se para o Parlamento russo em Moscou e para ocupar demais pontos estratégicos. O povo saiu as ruas para resistir enquanto o segundo homem do regime Boris Yeltsin, então presidente do Parlamento, assumiu a liderança anti-golpista.
Fracassado o levante, a URSS desmantelou-se. Foi como se tivessem aberto a Caixa de Pandora que guardava, por mais de 70 anos, todas as tensões e frustrações das mais de cem etnias e nacionalidades que a compunham. Em apenas dois anos, entre 1991-2, além da Federação Russa, formaram-se outros 14 países. Surgiram: as repúblicas bálticas da Estônia, da Letônia e da Lituânia; as republicas da Bielorussia, da Ucrânia e da Moldávia; as republicas do Cáucaso, como a Georgia, a Armênia e o Azerbaijão, e as da Ásia Central, como o Turquemenistão, o Uzbequistão, o Casaquistão, o Tajiquistão e o Kirquizistão.
No lugar da antiga URSS brotou uma ficção política, a débil Comunidade dos Estados Independentes, formada pela federação russa e pelos novos países. Muitos deles viram-se imediatamente envoltos em guerras civis ou em conflitos éticos e de separatismo interno.
Abalado pelo fracasso da reforma e pelo golpe que se seguiu, Gorbachev viu-se obrigado a renunciar, substituindo-o Boris Yeltsin que, em 1991, tornou-se o primeiro presidente eleito na Rússia pelo voto direto (sendo reeleito em 1996).

A Crise Econômica

Um dos mais graves problemas que acometem a Rússia atual diz respeito a questão das propriedades. Não tendo uma burguesia autocne e um empresariado preparado, as grandes empresas estatais de petróleo, gás, carvão, ouro, etc...caíram em mãos de seus antigos administradores, de seus ex-gerentes. Eles usurparam aquelas propriedades que eram patrimônio público. A transição da propriedade coletiva para a privada foi desastrosa entre outras razões porque não resultou de um consenso. Um pequeno grupo de homens poderosos, uma oligarquia de arrivistas e oportunistas, tornou-se a nova classe dirigente da Rússia.
Chamaram-nos de os “Sete Boiardos”(*) e se equiparam aos “barões ladrões” surgidos na metade do século 19 nos E.U.A. Ao concentrarem quase toda a riqueza produtiva do pais, exercem enorme influencia junto a Boris Yeltsin e tem rejeitado aceitar as políticas tributárias dele. Em quanto isto os negócios médios e pequenos têm sido controlados por “máfias”, grupos privados que se adonaram de parcelas do mercado e rivalizam-se com os demais. Isto tornou Moscou uma das cidades mais violentas do leste europeu.
As industrias deficitárias, por sua vez, com tecnologia obsoleta, ficaram ainda no controle do estado aumentando-lhe ainda mais o déficit público.
Para criar a sensação de que a Rússia partilhava do mundo do consumo, a administração Yeltsin abriu seu mercado interno aos produtos estrangeiros (grande parte deles de luxo), os quais, até pouco tempo, pagava com a exportação de grãos, petróleo e minerais.

Paralisia econômica e desastre social

Graças ao volumoso auxilio que recebia do Ocidente (tanto do FMI como dos E.U.A. e Alemanha) o governo russo conseguiu sobreviver as crises internas (a mais retumbante foi a guerra, entre 1994-96, contra a Chechênia, uma pequena república separatista do norte do Cáucaso) e à oposição que a maioria da Duma lhe faz (o parlamento russo é majoritariamente composto por deputados comunistas e nacionalistas, ambos hostis à política liberal e pró-ocidental de Yeltsin). Porém, sem conseguir modernizar seu aparato industrial e produtivo, nem legitimar o sistema de propriedades, e menos ainda regularizar o seu sistema tributário, (a sonegação fiscal banalizou-se), o governo esvasiou-se, ficou sem recursos.
Os serviços públicos (educação, saúde, transportes e segurança) entraram em colapso e os salários, além de muito baixos, são recebidos com enorme atraso. Afetada pela crise asiática que, em rápidos passos, desloca-se em direção ao Ocidente, e pela volúpia especulativa, a Rússia não resistiu à fuga dos capitais. O governo, tremendamente endividado, apelou para a moratória (suspensão de pagamentos).
As desigualdades sociais tornaram-se gritantes. As ruas e praças das principais cidades russas acolhem um número impressionante de aposentados e pessoas pobres que procuram vender seus escassos bens. A desvalorização do rublo provocou uma alta do dólar, e os bancos, para evitarem a quebra geral, congelaram as contas correntes dos seus depositantes.
Neste cenário sombrio não se vislumbrou, até o momento, alternativas que acenem para uma solução não traumatizante. O governo está paralisado, o presidente Boris Yeltsin enfraquecido politicamente e doente, se esvai a cada dia que passa. A oposição por sua vez propõe algum tipo de reestatização, retomando as antigas bandeiras do regime coletivista desaparecido em 1991. Evidentemente que um governo de coalisão - de salvação nacional - entre os reformistas, os comunistas e os nacionalistas poderia fazer com que pelo menos o pais voltasse a estabilidade. O problema são suas desavenças ideologicas e administrativas.

Conclusões

Pode-se interpretar a atual crise geral da Rússia como resultante de uma combinação de calamidades, rara em qualquer tempo da história, um momento em que confluiram o fim de um império, a pulverização ideologica que lhe dava sustentação e o colapso de um partido-estado que completara mais de 70 anos no poder. Especificadamente pode-se arrolar as seguintes causas:
1) a decomposição do antigo Império Russo, que existia fazia 5 séculos, herdado pela URSS, provocando um brusco rompimento nas relações de controle e dependência que ligavam a Rússia com as demais regiões e províncias, fazendo com que muitos recursos, alimentos e matérias primas, não estivessem mais acessível, pelo menos nos preços anteriores, à indústria e ao mercado russo;
2) o desaparecimento do Marxismo-leninismo como ideologia oficial do regime, cujo esfumaçamento deixou o estado e grande parte do povo sem uma motivação coletiva clara, não tendo conseguido um outro norte para dar um rumo aos propósitos nacionais. O Estado Russo Czarista considerava-se a concretização do Cristianismo Ortodoxo e mentor do Pan-eslavismo; o Estado Russo Soviético, por sua vez, apoiava-se no Marxismo-leninismo, sendo o centro do Internacionalismo socialista; o novo Estado da Federação Russa de hoje nada têm, nada representa de significativo, de transcendental. Vive num vácuo, carente de valores éticos e morais;
3) tanto a integridade territorial da URSS como a sua coesão administrativa dependiam dos quadros do Partido Comunista, havendo uma completa fusão entre partido e estado (não era possível ser funcionário de destaque e de confiança sem ser membro do partido). Com a abolição desta relação, com o apartamento definitivo do partido com o estado, ocorrida em dezembro de 1991, este ficou sem o cimento que lhe dava solidez.
A dissolução combinada, quase que automática, destes elementos (o império, a ideologia e o partido), que sustentavam a enorme engrenagem imperial-administrativa, parece-nos ser a responsável impessoal, oculta, que paira por detrás da gravíssima crise do país.
Por último, mas não menos importante, inexiste na Rússia atual um partido politico hegemônico que possa dar estabilidade à administração e às instituições. Acresce-se a isto a vocação autoritária da maioria dos administradores e demais autoridades que não educaram-se numa cultura democrática, cultura aliás completamente ausente da historia russa. As principais medidas governamentais terminam sendo decididas pelo mandonismo do governante e não obtidas por meio de consultas ou consenso.
A gigantesca responsabilidade de gerenciar um país de dimensões continentais (17 milhões de km2), e ainda uma potência nuclear, concentra-se num núcleo de poder instável que é a presidencia de Boris Yeltsin. A fraqueza, a indecisão e a debilidade dele, alastra-se pelo restante das regiões, generalizando a crise.
(*) Os boiardos eram os antigos membros de uma oligarquia de nobres que governava a Rússia no século 16 e que foram exterminados pelo czar Ivan o Terrível na luta pelo poder. Os “sete boiardos” de hoje são: Boris Berozovski (Logovaz: automóveis, televisão e óleo); Mikhail Friedman (Alfa Group; óleo, chá, açúcar e cimento); Mikhail Khodorkovski (Ros-Prom: banco e óleo); Vladimir Gisinsky (Media-Most Group: televisão, jornais e bancos); Mikhail Smolesnki (SBS-Agro: banco); Vladimir Potanin (Unemix bank: banco, óleo, gás, mídia, metais ferrosos); Vladimir Vinorgadov (Inkombank: banco, metais e óleo); Victor Chernomyrdin (Gazprom: conglomerado de gás) e homem de confiança de Yeltsin.

Resumo da história da URSS

1905 - 1917 Guerra russo-japonesa de 1904 provoca Revolução de 1905, Czar é obrigado a fazer concessões à Duma (Parlamento). Em 1906 inicia-se a contra-revolução e o czar recupera seus poderes autocráticos. Rússia na guerra mundial contra o Império alemão e austríaco (1914-18). Derrota russa e dissolução do exército. Agitação nas trincheiras e na cidades. Greves operárias e motins de fome.
1917 Revolução de fevereiro em S.Peterbsurgo. Prisão do czar. Formação do governo provisório (príncipe Lvov e depois Kerenski). Retorno de Lenin do exílio. Acirra-se as diferenças entre mencheviques e bolcheviques. Golpe de estado bolchevique (em 25 de outubro). Derrubada do governo provisório, formação do governo dos sovietes. Início da ditadura bolchevique. Lenin chefe de estado e presidente do Comitê Central do Partido Bolchevique. Negociações de paz (Tratado de Brest-Litovsk) com a Alemanha para retirar a Rússia da guerra.
1918 - 1921 Guerra civil entre Vermelhos (bolcheviques) e Brancos (czaristas). Fuzilamento do czar e de sua família em Ekaterinburgo. Comunismo de Guerra (política de expropriações forçadas) País arrasado pela guerra. Criação da Tcheka (GPU). Fundação da IIIº Internacional socialista (Komintern). Trotski lidera o Exército Vermelho na vitória. Novo Manifesto Comunista. Ditadura do Partido Comunista sobre todo o país
1921 - 1924 Rebelião dos marinheiros do Kronstat. Fim do comunismo de guerra. Nova Economia Política: restauração de práticas capitalistas e abertura aos investimentos estrangeiros. Mudança definitiva da capital de Petrogrado para Moscou. Lenin líder absoluto do partido e do estado. Morte de Lenin (em janeiro de 1924). Petrogrado é rebatizada como Leningrado
1924 - 1928 Troika assume no lugar de Lenin (Stalin, Zinoviev e Kamenev) Trotski é excluído. Rivalidade entre Stalin (“socialismo num só país”) e Trotski (“revolução permanente”). Trotski e Zinoviev são banidos, proclamação do “socialismo num só país”. Início da autocracia de Stalin.
1929 - 1936 Planos Qüinqüenais. Projeto de industrialização acelerada do país. Coletivização das terras (kolkozes e solfkozes), eletrificação total, indústria pesada e controle sobre consumo. Campanha de educação elimina com analfabetismo. Formação de técnicos e administradores em massa. Tecnocracia apoiada por Stalin afasta os militantes partidários.
1936 - 1938 Grandes expurgos. Elite do Partido , do Exército e da Policia Secreta (NKVD) é eliminada. Processos contra Bukarin, Radeck, Piatakov e Tukashevski. Yezov e Iagoda.coordenam o Grande Terror (800 mil fuzilados). Ascensão de L.Beria (segundo homem mais importante). Domínio socio-politico da tecnocracia e da burocracia partidária que se materializa na autocracia stalinista
1939 - 1941 Pacto Germano-soviético de não-agressão (Pacto Ribbentrop- Molotov). Stalin acerta-se com Hitler em torno da Polônia (que será partilhada por ambos em 1939) e assina acordo econômico com a Alemanha nazista (máquinas e equipamentos por matérias-primas).
1941 - 1945 Invasão nazista destruiu Rússia ocidental: 20 milhões de mortos. Contra-ofensiva soviética iniciada em 1943 leva à conquista de Berlim. Todo o leste europeu cai sobre controle soviético. Partilha da Alemanha com aliados ocidentais. URSS super-potência mundial rivaliza com os E.U.A.
1945 - 1953 Guerra fria. Stalin retoma controle autocrático. Expurgo dos valores ocidentais.Apogeu do Culto à Personalidade. Ampliação do GULAG (sistema de campos de concentração). Política de reconstrução acelerada e corrida armamentista. Deslocamento de povos e etnias suspeitas de colaboracionismo. Bomba atômica soviética (1949). Morte de Stalin provoca comoção nacional. Início do “degelo”. Em 1956, Krushev denuncia Stalin e sua política no 20º Congresso do PCURSS. princípio da desestalinização.
Fonte: educaterra.terra.com.br


A História da Russia


A formação do Estado Soviético

A Rússia foi o primeiro país do mundo a implantar um regime socialista baseado nos princípios do marxismo (socialismo científico, elaborado por Karl Marx e Friederich Engels).
Este regime foi estabelecido em 1917, quando uma revolução derrubou a monarquia czarista que vigorava no país. O líder da Revolução Russa foi Vladimir Ilich Lênin, auxiliado por Leon Trotski, Josef Stalin e outros militantes do Partido Bolchevique (radicais de esquerda). Logo depois de assumir o poder, os bolcheviques instauraram um governo provisório para dirigir o país. O órgão mais importante do novo governo era o Conselho dos Comissários do Povo, espécie de Conselho de Ministros (Comissário era o nome com que eram designados os ministros do novo regime).
O governo dirigido por Lênin tomou imediatamente diversas medidas destinadas a modificar totalmente a sociedade russa, visando conduzi-la para o caminho do socialismo.
Entre as principais medidas, destacaram-se:
  • reforma agrária e fim da propriedade privada da terra
  • extinção de todos os títulos de nobreza
  • desapropriação de indústrias, bancos e grandes estabelecimentos comerciais, que passaram para as mãos do Estado
  • nacionalização dos bancos e investimentos estrangeiros
  • criação do Exército Vermelho, com a finalidade de garantir a Revolução
  • criação do Partido Comunista, como passou a chamar-se o Partido Bolchevique, como único partido do país ; o sistema de partido único instituiu na Rússia a chamada "ditadura do proletariado", ou seja, o governo dirigido pelos trabalhadores.
Todos esses itens constaram da Constituição Provisória de 1918.
O governo dirigido por Lênin enfrentou logo forte oposição dos setores ligados ao antigo regime czarista. Militares, nobres, elementos da burguesia (industriais, banqueiros, comerciantes), além de forças vindas de outros países, começaram a atacar o novo regime.
Teve lugar então uma prolongada guerra civil, que causou milhões de mortos, tanto em conseqüência da guerra quanto, principalmente, em conseqüência da fome, pois a produção agrícola caiu assustadoramente e o sistema de abastecimento ficou totalmente desorganizado.
A guerra civil só terminou em 1921, quando o Exército Vermelho, comandado por Trotski, derrotou os últimos contingentes contra-revolucionários.
Em fevereiro deste mesmo ano o governo criou a Comissão Estatal de Planejamento Econômico (Gosplan), cujo objetivo era centralizar o planejamento e a execução da política econômica.
Como a guerra civil tinha devastado o país e a fome atingia grande parte da população, o governo decidiu abandonar momentaneamente os rígidos princípios do socialismo, que deveriam demorar um certo tempo para dar seus frutos, e voltar a utilizar algumas das formas de produção capitalistas, que vigoravam antes da Revolução.
Assim, foram autorizadas certas atividades particulares no campo e na cidade. Os agricultores podiam comercializar seus produtos; comerciantes podiam abrir pequenos estabelecimentos ; pequenas fábricas podiam ser dirigidas por particulares ; eram admitidas diferenças de salários; o capital estrangeiro podia investir no país. Estas medidas receberam o nome de Nova Política Econômica (NEP); graças a elas, a produção se normalizou em parte e a fome diminuiu.
Em dezembro de 1922, o nome do país foi mudado para União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Tratava-se de uma federação englobando sete repúblicas: Rússia, Transcaucásia, Ucrânia, Rússia Branca, Uzbequistão, Turquemenistão e Tadiquistão.
Em julho de 1923 foi promulgada uma nova Constituição, que estabeleceu como órgão mais importante o Soviete Supremo, composto por delegados de todas as repúblicas, encarregados da escolha do Conselho Executivo.

Stalin vence a Luta pelo Poder

Lênin morreu em 1924. Dois importantes dirigentes do Partido passaram a disputar o poder: o secretário geral, Joseph Stalin, e Leon Trotski, Comissário do Povo para Assuntos de Guerra. Stalin venceu a disputa. Trotski não concordava com a orientação que Stalin imprimia à direção do país e passou a fazer oposição ao novo dirigente, mas foi expulso do partido e do território soviético. Morreu no México em 1940, assassinado por um agente de Stalin.
Controlando a burocracia partidária e estatal, Stalin foi afastando seus opositores até conseguir se tornar ditador absoluto em 1929. Além da extrema centralização política, Stalin implantou a planificação geral da economia, através dos planos qüinqüenais, que procuravam desenvolver a indústria pesada e forçar a coletivização da agricultura. Para obter a auto-suficiência industrial, a produção de bens de consumo foi restringida; a erradicação do analfabetismo e a expansão do ensino técnico também contribuíram para que a União Soviética alcançasse rapidamente um elevado nível de desenvolvimento industrial.
Uma nova Constituição, outorgada por Stalin em 1936, confirmou seu poder totalitário, ao mesmo tempo em que uma política de expurgos maciços, instalando o terror permanente, promoveu o afastamento e a eliminação dos opositores do regime.
Com essa extrema centralização e com o aumento do controle burocrático e policialesco sobre a população soviética, Stalin instaurou o culto de sua personalidade, transformando a ditadura do proletariado em ditadura pessoal.

O Fascismo e o Nazismo

Enquanto Stalin, através da força, impunha à União Soviética seu governo totalitário, o restante da Europa assistia à ascensão de regimes totalitários na Itália, com o fascismo, e na Alemanha, com o nazismo.
Os tratados de paz que tinham sido impostos pelas potências vencedoras da Primeira Guerra Mundial impediam que a Itália e a Alemanha tivessem acesso aos mercados consumidores externos e às fontes de matéria-prima, dificultando seu desenvolvimento industrial e sua equiparação às demais potências da época: França e Inglaterra.
Gravemente afetados pela Grande Depressão de 1929, os governos da Itália e da Alemanha estabeleceram como meta prioritária a reconstituição de seus impérios coloniais, através de uma política de anexação de territórios vizinhos. Para a execução dessa política, os dois países passaram a organizar poderosas e bem equipadas forças armadas.
A agressiva política de expansionismo da Itália e da Alemanha pôs em risco o precário equilíbrio que vigorava entre os países da Europa. Em março de 1938, Hitler anexou a Áustria e incorporou os Sudetos, região da Tchecoslováquia habitada predominantemente por alemães. A Inglaterra e a França, principais potências da Europa, se acovardaram diante da investida de Hitler e acabaram aceitando a anexação, pois achavam que isso iria satisfazer as ambições do ditador alemão. Mas Hitler não recuou, anexando, em 1939, o restante da Tchecoslováquia, enquanto a Itália de Mussolini anexava a Albânia.
Em abril do mesmo ano Hitler demonstrou a intenção de reocupar o corredor polonês, região que desembocava em Dantzig (atual Gdansk) e dava à Polônia uma saída para o mar. Para evitar uma guerra em duas frentes, Hitler firmou um acordo secreto com a União Soviética para dividir a Polônia (Pacto Germano-Soviético de 27/8/39). Stalin concordou mediante a promessa germânica de não intervenção na expansão soviética pelo Mar Báltico.

A União Soviética e a Segunda Guerra Mundial

Em 1° de setembro de 1939, a Alemanha invadiu a Polônia. A Inglaterra e a França reagiram para protegê-la, desencadeando a Segunda Guerra Mundial. Enquanto isso, a União Soviética se apossava da Polônia Oriental e invadia a Finlândia.
Em 1940, Hitler avançou sobre a França e o norte da África. Além disso, firmou o Pacto Tripartite com a Itália e o Japão, visando uma nova repartição da Europa e da Ásia Oriental. Em seguida, dominou a Hungria, a Romênia, a Bulgária e a Eslováquia. A Grécia e a Iugoslávia também foram submetidas logo depois.
O pacto entre a Alemanha e a União Soviética também não teve duração. Descontente com a adesão da Bulgária, sua zona de influência, ao Pacto Tripartite, e impedido pelos alemães de anexar os estreitos do Mar Negro, Stalin se desentendeu com Hitler que, por sua vez, ordenou a invasão da União Soviética em junho de 1941.
No final de 1941, também os Estados Unidos entraram na guerra, depois que sua base de Pearl Harbor, no Pacífico, foi atacada pelos japoneses.
A guerra se generalizou, desenvolvendo-se em três frentes: a ocidental, a oriental e a guerra no Pacífico.
Na frente oriental, embora com relativo sucesso no início, o exército alemão enfrentou ferrenha reação dos soviéticos. Por instrução de Stalin, o exército soviético empregou a tática de "terra arrasada": tudo era retirado por trem e levado para as regiões orientais do país: fábricas, máquinas agrícolas, gado, além da população; o que não podia ser levado era destruído. Isso acabou dificultando seriamente o avanço alemão.
Mesmo sofrendo baixas consideráveis, Hitler ordenou que seus comandados continuassem o avanço, até o último homem: seu objetivo era apossar-se dos campos petrolíferos do Cáucaso e das indústrias militares de Stalingrado. No auge do avanço, a frente de guerra se estendia de norte a sul da União Soviética. Os alemães sitiaram Leningrado por dois anos e chegaram até perto de Moscou. Mas os soviéticos, beneficiados pelo inverno e contando com reforços trazidos de outros pontos do país, resistiram e impuseram a mais importante derrota da guerra aos alemães, na também mais importante batalha do conflito - a batalha de Stalingrado.
Começava assim, em 1943, o recuo nazista, enquanto o exército soviético ia avançando sobre as zonas ocupadas, conseguindo retomar a Bulgária, a Hungria, a Tchecoslováquia, a Polônia e a Finlândia, marchando com decisão sobre a fronteira oriental da Alemanha.
Enquanto isso, o ataque combinado de ingleses e americanos libertou a França, os Países Baixos e a Bélgica, fechando o cerco a Hitler, pela frente ocidental.
Em fevereiro de 1945, Roosevelt (Estados Unidos), Churchill (Inglaterra) e Stalin (União Soviética) reuniam-se na Conferência de Yalta para acertar os detalhes finais da grande ofensiva contra a Alemanha, fixar as zonas de ocupação sobre o território germânico a serem controlados por um conselho afiado e reformular o mapa europeu.
Em abril de 1945 os soviéticos cercaram Berlim e em maio as tropa alemãs capitularam nas diversas frentes de batalha.
Na Conferência de Potsdam, no mesmo ano, Stalin, Churchill e Harry Truman, sucessor de Roosevelt na presidência dos Estados Unidos, reuniram-se para definir o destino da Alemanha derrotada. Além da desmobilização completa de suas forças armadas, da redução de seu parque industrial e da obrigatoriedade de pagar pesadas reparações de guerra, a Alemanha teve seu território dividido em quatro zonas de ocupação a serem administradas pela União Soviética, Inglaterra, Estados Unidos e França.
Os Estados Unidos e a União Soviética emergiram da Segunda Guerra Mundial como as duas maiores potências do planeta.

A Europa após a Segunda Guerra Mundial

Logo após a guerra, a Europa viveu um período de estagnação econômica, em virtude da paralisação das atividades produtivas, sobretudo agrícolas, do desmantelamento da rede ferroviária, da baixa produção de matérias-primas e da drástica redução da população economicamente ativa.
Apesar de terem sido aliados durante a guerra, os Estados Unidos e a União Soviética começaram logo a se desentender, principalmente a partir da Conferência de Potsdam, quando apareceram claramente as diferenças políticas entre os dais regimes e as divergências em torno da partilha territorial e da definição das respectivas áreas de influência. Era certo, porém, que com o enfraquecimento da Grã-Bretanha e da França, caberia a soviéticos e norte-americanos a decisão sobre os destinos da Europa.
O fato de os Estados Unidos contarem com bombas atômicas em seu arsenal bélico causava preocupação à União Soviética. Em contrapartida, o Ocidente ia se mostrando cada vez mais temeroso com relação ao avanço soviético, tendo em vista que, durante a Segunda Guerra, a União Soviética anexara as repúblicas bálticas da Estônia, Letônia e Lituânia, além de ocupar outros países que ajudara a libertar da presença nazista. E mais, o Cremlin cooperava ativamente com os partidos comunistas locais para a formação de democracias populares (Repúblicas Socialistas) nestas regiões. Foi o caso da Polônia e Iugoslávia (1945), da Albânia e Bulgária (1946), da Romênia (1947), da Tchecoslováquia (1948) e da Hungria (1949).
Nas palavras do ex-chanceler inglês Winston Churchill, a União Soviética de Stalin estendia sobre esses países uma "cortina de ferro", que impediria qualquer influência ou ajuda do capitalismo à Europa Centro-Oriental.

A Guerra Fria

Em 12 de março de 1947, instado por Churchill, o presidente norte-americano Harry Truman proferiu um violento discurso no Congresso, conclamando seu país e todo o Ocidente a lutar contra o totalitarismo soviético (Doutrina Truman).
Era o reconhecimento público das divergências entre as duas grandes potências e o início da chamada guerra fria.
Para garantir e reforçar sua influência na Europa Ocidental , os Estados Unidos elaboraram o Plano Marshall. Através dele os Estados Unidos passaram a prestar poderosa ajuda aos países europeus, destroçados pela guerra. A Alemanha era um dos alvos mais importantes. Graças à ajuda econômica, os Estados Unidos pretendiam conter a propagação do comunismo na região.
A União Soviética, apesar de exaurida economicamente e com um decréscimo populacional de mais de 20 milhões de pessoas, mortas em decorrência da guerra, não aceitou qualquer ajuda norte-americana, exemplo seguido pelos demais países socialistas. Em setembro de 1947, foi criado o Comitê de Informação dos Partidos Comunistas e Operários - o Kominform -, com o objetivo de unificar a ação comunista na Europa Ocidental, sob orientação de Moscou.
Com exceção da Iugoslávia, que se rebelou em 1948, todas as democracias populares foram intimadas a admitir a intervenção de Stalin, que não hesitou em usar a força repressora para obter o controle político e econômico dessas áreas.
O caso da Alemanha gerou um problema delicado, já que seu território estava dividido entre Inglaterra, França, Estados Unidos e União Soviética, tornando uma administração conjunta absolutamente inviável. Assim, americanos, franceses e ingleses decidiram em 1949 fundir suas respectivas zonas de ocupação, inclusive suas áreas em Berlim, dando origem à República Federal da Alemanha ou simplesmente Alemanha Ocidental, com um governo autônomo pró-capitalista e capital em Bonn. A zona oriental tornou-se a República Democrática Alemã, ou Alemanha Oriental, segundo o modelo soviético, com capital em Berlim Oriental.
Enquanto os Estados Unidos, pelo Plano Marshall, promoviam a reconstrução da Europa, a União Soviética criava, em 1949, o Comecon - Conselho para Assistência Econômica Mútua -, visando auxiliar os países socialistas a recompor suas economias, através dos princípios da planificação.
No plano militar, as nações do Ocidente criaram, ainda em 1949, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), como resposta à explosão da primeira bomba atômica soviética. A contrapartida do Cremlin veio em 1955 com a assinatura do Pacto de Varsóvia (Tratado de Assistência Mútua da Europa Oriental), um organismo de defesa que congregava a União Soviética, a Alemanha Oriental, a Bulgária, a Polônia, a Romênia, a Albânia e a Tchecoslováquia.

Um Mundo Bipolar

Estava armado o cenário para o confronto entre as duas grandes potências, cuja animosidade ultrapassava as fronteiras dos respectivos aliados para se estender a outras regiões do globo, sempre com o objetivo de ampliar suas esferas de influência e dominar áreas estratégicas. O mundo, então, dividiu-se em dois blocos distintos e rivais: o capitalista, sob a liderança dos Estados Unidos, e o socialista, sob o comando da União Soviética.
As disputas entre as nações-líderes acabaram s e estendendo para outras regiões da Terra, camufladas na forma de ajuda financeira e militar.
Concentradas na tarefa de sua reconstrução interna, a França, a Inglaterra e a Holanda tinham dificuldades em manter seus domínios coloniais na África e na Ásia. Assim, os Estados Unidos passaram à ofensiva para ocupar esses espaços, criando zonas de atrito com a União Soviética, também preocupada em apoiar os partidos comunistas locais e garantir sua influência nessas regiões.
Nesses locais ocorreriam os enfrentamentos entre as duas potências a partir da década de 50. Exemplo marcante, nesse sentido, foi a Guerra da Coréia, ocorrida entre 1950 e 1953.
A guerra fria ia deixando o mundo todo apreensivo com a possibilidade de um enfrentamento direto, agora com armas nucleares. A idéia de um confronto, ativas redes de espionagem, propaganda maciça contra o regime político do "inimigo", este era o clima dominante dentro das potências, que acabava se espraiando para suas respectivas áreas de influência.

A Ditadura de Stalin

Internamente, sob a férrea condução de Stalin, os soviéticos implementaram o Quarto Plano Qüinqüenal (1946-1950), que privilegiava o setor energético, o transporte ferroviário e a reconstrução das fábricas atingidas pela guerra. Entre 1951 e 1955, o Quinto Plano Qüinqüenal, que incentivava principalmente o progresso tecnológico e a indústria bélica, elevou a União Soviética ao lugar de segunda potência industrial do mundo. Rapidamente, o país tornou-se o maior produtor de aço e de petróleo.
A agricultura, porém, não acompanhou esse ritmo, tornando problemático o abastecimento de uma população crescente, rato que teria repercussão desastrosa num futuro não muito distante.
No plano político, a violência que caracterizou o governo de Stalin atingiu não somente os soviéticos, mas também os outros países do bloco socialista, que tentavam encontrar vias próprias de desenvolvimento, fora dos rígidos padrões do Kominform.
Após a dissidência da Iugoslávia do marechal Tito, em 1948, Stalin mergulhou no terror a Europa do Leste, promovendo expurgos nos partidos comunistas da Hungria e da Bulgária (1949), da Polônia (1951) e da Romênia (19S2), garantindo pela força que o exemplo iugoslavo não tivesse seguidores.

Kruschev e a Desestalinização

A morte de Stalin, em 1953, desencadeou uma acirrada disputa pelo poder, vencida por Nikita Kruschev, identificado com o aparelho do Partido Comunista da União Soviética (PCUS). Em 1955, sob essa nova liderança, a União Soviética passou por um processo de liberalização do regime. Uma das prioridades foi o aumento da produtividade agrícola, obtida pela descentralização de áreas econômicas, gerenciadas por conselhos locais.
Outro avanço notável ocorreu no âmbito da tecnologia espacial: no dia 4 de outubro de 1957, a União Soviética surpreendia o mundo com a notícia de que tinha colocado em órbita da terra um satélite artificial, o Sputnik. Era uma façanha sem precedentes. Menos de quatro anos depois, precisamente nu dia 12 de abril de 1961, o mundo tomava conhecimento de outro feito espetacular: pela primeira vez, um homem se deslocava em uma órbita da Terra, livre da atração gravitacional. O nome do astronauta correu mundo: Iúri Gagarin.
Mas a realização mais importante de Kruschev ocorreu sem dúvida no campo político. Internamente, deu início a um processo de abertura, amenizando o rigor da censura, reduzindo o poder da polícia política, reabilitando presos políticos e fechando diversos campos de trabalhos forçados. Esse processo recebeu os nomes de degelo e desestalinização, ou seja, eliminação dos traços deixadas por Stalin na vida da União Soviética. O marco decisivo desse processo foi o XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, em fevereiro de 1956, no qual Kruschev levou mais longe ainda sua iniciativa de desestalinização: revelou e denunciou os abusos e crimes cometidos por ordem de Stalin.
Esse fato repercutiu de maneira ampla nos países socialistas da Europa Oriental, estimulando dissidências.
Mas a pesada herança stalinista ainda se fazia sentir e, através da intervenção militar, a União Soviética não permitiu que rebeliões ocorridas na Polônia e na Hungria, no ano de 1956, desviassem esses países de sua linha ideológica.
No plano externo, Kruschev deu início a um processo de aproximação com os Estados Unidos. Num gesto de grande coragem, em 1959, fez uma visita de diversos dias àquele país. Era a primeira vez que um dirigente da União Soviética já pisava o solo americano. Ao retornar a seu país, Kruschev declarou: "Eu vi os escravos do capitalismo. E vivem bem. " Através dessa aproximação com os Estados Unidos, teve início o que se denominou de coexistência pacífica entre as duas superpotências.
Em 1959 o bloco socialista seria ampliado com a inclusão de Cuba, primeiro país da América Latina a adotar o regime comunista, em decorrência de uma revolução liderada por Fidel Castro.
Essa aproximação com o Ocidente, além da política do degelo, não agradou aos dirigentes da China, que tinha feito sua revolução socialista em 1949. Lá, o fervor revolucionário não admitia aproximações com os países capitalistas nem o afrouxamento da rígida disciplina doutrinária. O que estava acontecendo na União Soviética, para o líder Mao Tsé-tung e seus seguidores, era "revisionismo", isto é, desvio do caminho revolucionário idealizado por Lênin. Após um período de acusações, em 1960 os dois países romperam relações. Milhares de técnicos soviéticos que trabalhavam no desenvolvimento de projetos na China foram chamados de volta, deixando interrompidas numerosas obras.
Em 1961, novos acontecimentos viriam mostrar, de forma crua, que as relações entre os países comunistas e capitalistas estavam longe de se normalizarem. Na Europa, o governo da Alemanha Oriental, para evitar a fuga de cidadãos para o lado ocidental, mandou erguer um muro, fechando a fronteira entre ambos os países. Símbolo da intolerância política, este muro só viria a ser derrubado em novembro de 1989.

A crise dos mísseis em Cuba

Na América, apesar dos ensaios de entendimento entre a União Soviética de Kruschev e os Estados Unidos de John Kennedy, Cuba se transformaria num perigoso foco de tensão internacional. A Revolução Cubana, ao estatizar as empresas estrangeiras instaladas em seu território, provocou represálias dos Estados Unidos, na forma de boicote à importação de açúcar, principal fonte de divisas da ilha. Logo em seguida, em 1961, exilados cubanos, treinados e equipados pela CIA (Agência Central de Inteligência), tentaram invadir a ilha para derrubar o governo de Fidel Castro, no episódio conhecido como a "invasão da baía dos Porcos". Em decorrência, Washington e Havana romperam relações, e Cuba, por pressão norte-americana, foi expulsa da OEA (Organização dos Estados Americanos), ficando isolada política e economicamente do resto do continente.
Esses fatos promoveram a aproximação de Fidel com os soviéticos, de quem passou a receber ajuda financeira, técnica e militar para estruturar o país segundo moldes socialistas. Como parte da aliança, o Cremlin recebeu permissão para instalar mísseis em Cuba, mas o governo americano logo descobriu e exigiu que fossem retirados.
Foram dias de extrema tensão, com o mundo à beira de uma guerra nuclear. Depois de muitas negociações, os mísseis foram levados de volta para a União Soviética, mas as tentativas de aproximação entre os dois lados voltaram à estaca zero.

A Era de Brejnev

Dentro da União Soviética, Kruschev passou a sofrer pressões devido a seu reformismo e perdeu seu posto em outubro de 1964 para Leonid Brejnev. Este, embora prometesse continuar as reformas internas e buscar a aproximação com o Ocidente, representava na prática a retomada do controle pela poderosa burocracia, impermeável às mudanças, ainda que controladas. Brejnev teve que se equilibrar entre a estagnação da economia interna e o crescimento dos gastos militares. Além da produção de armamentos, a União Soviética gastava fortunas para manter suas tropas, em constante estada de alerta, não só em suas próprias fronteiras, mas também em diversos pontos do globo sob sua esfera de influência.
Nos 18 anos de poder, o governo de Brejnev se destacou por severo controle sobre os países da Europa Oriental.
Uma tentativa de empreender uma série de reformas liberalizantes, liderada por Alexander Dubeek, na Tchecoslováquia, em 1968, foi esmagada por tanques do Pacto de Varsóvia.
O contato com os Estados Unidos foi retomado durante a gestão de Richard Nixon (1968-1974), mas as conversações sobre limitação de armas nucleares acabaram interrompidas em decorrência da invasão soviética do Afeganistão, em 1979. Neste país, o exército soviético interveio para sustentar um governo pró-Moscou que acabara de derrubar a monarquia.

A vez de Gorbatchev

A morte de Brejnev, em 1982, trouxe problemas na cúpula hierárquica, pois seus sucessores, idosos e doentes, vieram a falecer pouco tempo depois da posse. Foi só em 1985, quando Mikhail Gorbatchev assumiu a direção da União Soviética, que se iniciou a renovação dos quadros dirigentes, o que permitiu implementar reformas profundas, tanto na economia quanto na política e na administração.
Em fevereiro de 1986, Gorbatchev lançou a idéia da glasnost, uma política de abertura e transparência no trato das questões soviéticas, ou seja, uma campanha contra a corrupção e a ineficiência na administração, com propostas de maior liberdade na política, na economia e na cultura.
Em seguida, lançou a perestroika, um plano de reestruturação do sistema político e econômico da União Soviética.
Em linhas gerais, tratava-se de retirar os excessivos controles sobre a economia, engessada pelo rígido planejamento estatal, e simplificar a estrutura administrativa, de dimensões gigantescas mas agilidade paquidérmica - tarefa extremamente complicada num país de dimensões continentais, que congregava múltiplas nacionalidades, algumas submetidas à força no período de Stalin.
É clara que essa proposta de mudanças profundas passou logo a sofrer a oposição dos conservadores, ou seja, os comunistas ortodoxos, os burocratas do aparelho estatal que temiam perder seus cargos e privilégios, e os militares preocupados com possíveis cortes no orçamento das Forças Armadas.
Apesar de toda a oposição, Gorbatchev conseguiu dar continuidade aos seus planos e teve ainda reforçada sua liderança ao ser eleito presidente da República em julho de 1988.
Tratava-se de um caminho sem volta e Gorbatchev teve de enfrentar complicadores de peso. A abertura política incentivara movimentos de autonomia, principalmente dos povos da região do Báltico (Letônia, Lituânia e Estônia) que haviam sido subjugados por Stalin, e fizera explodir rivalidades entre grupos religiosos opostos, na República do Azerbaijão (cristãos ortodoxos contra muçulmanos).
Mas a economia continuava a apresentar um fraco desempenho, comprometendo o abastecimento de toda a população.

As reformas se Aceleram

Em março de 1989, pela primeira vez na União Soviética, realizaram-se eleições livres para a escolha do Congresso dos Deputados do Povo; 180 milhões de soviéticos foram à urnas, confiantes de que viviam um momento único de sua história. O pleito, de certa forma , referendou as diretrizes de Gorbatchev, pois acabou impondo humilhante derrota aos candidatos oficiais.
Surgia com força, neste novo cenário político, a figura de Bóris Yeltsin, eleito representante da cidade de Moscou com 89,4fé dos votos e adepto de reformas mais aceleradas. Yeltsin havia sido prefeito de Moscou e importante figura do Partido Comunista. Era do Comitê Central. Logo que Gorbatchev lançou as propostas da glasnost e da perestroika, Yeltsin passou defendê-las com vigor. Era um ultra-reformista. Por isso, passou a sofrer violentas pressões dos conservadores e acabou renunciando a seus cargos, passando para a oposição.
Em fevereiro de 1990, uma nova legislação partidária estabelecia a permissão para a organização de novos partidos políticos. Era o fim da hegemonia absoluta do Partido Comunista, que vigorava desde a tomada do poder pelos bolcheviques, com a Revolução de 1917. Neste novo cenário que se criou, logo ganhou força a Plataforma Democrática, frente política liderada por Bóris Yeltsin. Isso acentuava a pressão sobre Gorbatchev no sentido de ampliar as reformas políticas e econômicas.
Mas a tarefa de transformar as velhas estruturas do império não podia se concretizar de maneira tão rápida. Setenta anus de centralismo, produção subsidiada e rigidez burocrática não se desfazem sem grandes transtornos. A passagem do modelo estatizado de produção para a economia de mercado gerou alta de preços e escassez de produtos, aumentando a insatisfação popular.
Enquanto isso, o movimento separatista, iniciado nas repúblicas bálticas em 1990, crescia e se espalhava para outras repúblicas. Somente respostas positivas na economia poderiam reforçar os laços que mantinham juntas as quinze repúblicas soviéticas.
Em março de 1991, um plebiscito em toda a União Soviética confirmou por larga maioria dos eleitores (76%) o desejo de que fosse mantida a união do país, na norma de uma "federação renovada de repúblicas soberanas", com direitos iguais.
Neste mesmo ano, o Congresso dos Deputados do Povo aprovou um programa econômico para acelerar a introdução da economia de mercado, com a liberalização dos preços, privatização de empresas e estímulo ao comércio exterior.
Gorbatchev achava-se numa posição delicada, pressionado, de um lado, pelos ultra-reformistas, sob o comando de Yeltsin, e, de outro, pelos comunistas ortodoxos que faziam de tudo para solapar as reformas em curso.

O Golpe de Agosto de 91

Em 19 de agosto de 1991, uma notícia causou comoção Mundial: a agência soviética Tass divulgou que Mikhail Gorbatchev havia deixado a presidência da União Soviética por "problemas de saúde" e um certo Comitê Estatal de Emergência assumira o puder. O sentido era inequívoco: Gorbatchev fora vítima de um golpe de Estado. A "linha dura" do Partido Comunista pretendia reinstalar um regime totalitário.
Mas a população reagiu. Milhares de pessoas saíram às ruas e passaram a enfrentar os soldados e os tanques que se dirigiam ao edifício do Parlamento da República da Rússia. Barricadas impediam o avanço dos tanques. A tripulação dos tanques era retirada à força de dentro dos veículos. Bóris Yeltsin passou a comandar a resistência, que ganhou inclusive a adesão de muitos militares.
O noticiário dava conta de que o golpe fora liderado por Guennady Yanayev, vice-presidente da União Soviética; Boris Pugo, ministro do Interior; Dmitri Yazov, ministro da Defesa, e Wladimir Kryuchov, chefe da KGB (a polícia secreta soviética).
Gorbatchev permaneceu 60 horas preso na Criméia, numa casa de praia onde tinha ido descansar. Aos poucos, os golpistas foram perdendo força diante da resistência de quase toda a nação. Graças à glasnost e à perestroika, a União Soviética mantinha agora contatos abertos com o exterior, que pôde acompanhar o desenrolar dos acontecimentos. Vários chefes de Estado do Ocidente exigiram enfaticamente a recondução de Gorbatchev ao poder.
Após três dias de resistência, Yeltsin e os militares legalistas tinham recuperado totalmente o controle da situação e os golpistas foram presos. Gorbatchev desembarcou livre em Moscou. De volta ao cargo, o líder soviético reafirmou seu compromisso com o socialismo democrático e sua intenção de somar forças com Yeltsin, agora extremamente fortalecido por comandar a resistência aos golpistas.
Afastada a ameaça antidemocrática, faltava à União Soviética superar seus grandes problemas econômicos e resolver a questão dos nacionalismos dentro do país, já que os movimentos separatistas, principalmente nas repúblicas bálticas, não tinham cessado.

Começa a Desintegração do Império

O golpe de agosto de 1991 praticamente abriu as comportas para o movimento de independência das repúblicas que compunham a União Soviética. As repúblicas do Báltico já tinham tentado separar-se em 1990, mas foram severamente reprimidas, pagando com sangue sua ousadia. Com o fracasso do golpe, o cenário mudou totalmente.
As forças conservadoras estavam derrotadas e quem mandava realmente era Bóris Yeltsin e não mais Gorbatchev, cujo poder estava completamente esvaziado. Assim, já no mês seguinte ao golpe, isto é, em setembro, as repúblicas da Letônia, Estônia e Lituânia, uma após a outra, reafirmaram, agora em caráter definitivo, suas declarações de independência. A própria Rússia foi um dos primeiros países a reconhecer a independência dessas repúblicas. Estava aberto o processo para as outras, que também, na sua grande maioria, declararam-se separadas.
Outra conseqüência importante do golpe foi a suspensão, determinada por Yeltsin em toda a Rússia, das atividades do Partido Comunista, que implicou inclusive o confisco de seus bens.

A KGB teve sua cúpula dissolvida.

Gorbatchev admitiu a implosão da União Soviética mas tentou ainda manter o vínculo entre as repúblicas, propondo a assinatura do chamado Tratado da União. Mas suas palavras não fizeram eco e o processo de separação se tornou irreversível. Isto preocupou o Ocidente, e os Estados Unidos em particular, pois surgiu uma questão inevitável: com o desmoronamento da União Soviética, a quem caberia o controle sobre as armas nucleares?
Em 4 de setembro de 1991, Gorbatchev, como presidente da União Soviética, e Bóris Yeltsin, na qualidade de presidente da Rússia, e mais os líderes de outras nove repúblicas, em sessão extraordinária do Congresso dos Deputados do Povo, apresentaram um plano de transição para criar um novo Parlamento, um Conselho de Estado e uma Comissão Econômica Inter-republicana. Embora tentasse estabelecer os parâmetros para uma nova união entre as diversas repúblicas, este plano, na verdade, significava o desmantelamento formal da estrutura tradicional do poder soviético. De qualquer forma, a proposta acabou sendo aprovada.
Percebendo a importância de Gorbatchev para a estabilidade da nação, naquele momento, Yeltsin prometeu o apoio da República russa ao novo plano. Enquanto isso, os líderes ocidentais também davam sinais de uma clara preferência pela permanência de Gorbatchev no poder, embora demorassem a assumir o compromisso de uma ajuda econômica mais efetiva à União Soviética.
De resto, era justamente o agravamento da situação econômica que tornava mais delicada a posição de Gorbatchev. Decididamente, o povo soviético estava impaciente diante da falta de perspectivas de solução rápida para o desabastecimento do mercado interno.
Aprovado o plano de mudanças, faltava agora conseguir a assinatura do Tratado da União com todas as repúblicas.
Mas em li de dezembro de 91, a situação se precipitou com a consolidação da independência da Ucrânia, aprovada em um plebiscito com uma votação favorável de 90% de sua população.
Numa espécie de golpe branco contra Gorbatchev, sete dias depois, os presidentes das repúblicas da Rússia, Ucrânia e Bielorússia, reunidos na cidade de Brest, criaram a Comunidade de Estados Independentes (CEI), decretando o fim da União Soviética.
Diante disso, James Baker, secretário de Estado norte-americano, declarou: "O Tratado da União sonhado pelo presidente Gorbatchev nunca esteve tão distante. A União Soviética não existe mais".
De fato, em 17 de dezembro Gorbatchev foi comunicado que a União Soviética desapareceria oficialmente na passagem de Ano Novo.
Na seqüência, no dia 21 de dezembro, os líderes de 11 das 15 repúblicas soviéticas reuniram-se em Alma-Ata, capital do Casaquistão, para referendar a decisão da Rússia, Ucrânia e Bielorússia e oficializar a criação da Comunidade de Estados Independentes e o fim da União Soviética.
Gorbatchev, agora, governava sobre o vazio.

Gorbatchev renuncia

No dia de Natal, em cerimônia transmitida por satélite para o mundo inteiro, o líder soviético renunciou ao cargo de presidente e comandante em chefe das Forças Armadas da União Soviética, transferindo a Bóris Yeltsin o controle do arsenal nuclear.
Nas palavras de um comentarista: "Gorbatchev é comunista e desabou com o comunismo sendo comunista. Assumiu o puder, casou em si uma das mais difíceis combinações humanas, a que une entusiasmo com prudência, entendendo que a tolerância, em determinadas circunstanciais, é uma virtude revolucionária, mas não ousou ir até o fim (...) Descontente com um autoritarismo (...), acreditou que a saída estava dentro do próprio comunismo e, para isso, bastaria reformula-lo. Padeceu da utopia de que um sistema que esgota a sua experiência pode ser restaurado em reuniões e protocolos (...) Gorbatchev nunca enxergou para fora do comunismo e aí parou e andou para trás. Perdeu. Isso não o faz um estadista de perspectivas limitadas mas, sim, leva à necessidade de entendimento, no círculo mesmo da História, que os homens têm de seu tempo e seu limite". Antônio Carlos Prado. Isto é/Senhor, 25/12/91.
A extinção da União Soviética e a criação da CEI não eliminaram concretamente nenhum dos problemas que vinham assolando a ex-União Soviética.
A tentativa de fazer uma passagem imediata para a economia de mercado, com a liberação total de preços a partir dos primeiros dias de 1992, provocou protestos da população e discordância entre as repúblicas. Em poucos meses o preço de muitas mercadorias, dos transportes e de alguns serviços ficaram pelo menos 12 vezes mais caros.

As mudanças nos Países da União Oriental

Durante a Segunda Guerra Mundial, como vimos, os países da Europa Oriental foram ocupados pela Alemanha. Eram eles: Polônia, Hungria, Tchecoslováquia, Bulgária, Romênia e Iugoslávia. Com a derrota da Alemanha eles ficaram sob a área de influência da União Soviética. Com exceção da Iugoslávia, todos eles seguiam rigorosamente as diretrizes do Partido Comunista da União Soviética.
É claro, portanto, que a implantação da perestroika e da glasnost iria desencadear enormes mudanças também nesses países.
Vamos examiná-los rapidamente, um por um.

Polônia

Na Polônia, o processo de transformações políticas e econômicas começou antes que em qualquer outro país socialista. Já no final da década de 70 e início da década de 80, movimentos grevistas passaram a agitar os principais centros industriais do país, principalmente os estaleiros de Gdansk.
Diante da falta de iniciativa das autoridades e dos sindicatos, atrelados ao governo, um grupo de operários e de intelectuais decidiu fundar um sindicato independente, que recebeu o nome de Solidarnosc (Solidariedade). Sua combatividade surpreendeu os operários poloneses, que passaram a aderir em massa ao novo sindicato.
A iniciativa dos operários e de suas lideranças - entre as quais se destacava a de Leeh Walesa - atingiu frontalmente as autoridades, que passaram imediatamente a combatê-lo. Como não conseguiram resultado, em 1982 o governo implantou a lei marcial e o Solidariedade foi declarado ilegal e proibido de funcionar.
Os anos seguintes foram extremamente difíceis. O Solidariedade funcionou na ilegalidade e diversos membros da sua direção estiveram presos.
Com a perestroika na União Soviética, a partir de 1985, a situação começou a mudar e em 1988 o sindicato emergiu novamente com força, liderando nova onda de greves. O governo foi obrigado a ceder. Por um acordo assinado entre o sindicato e o governo em abril de 1989, a ilegalidade do sindicato foi revogada e foram estabelecidas novas regras para o jogo político: foi criado o cargo de presidente da República e criado um Parlamento com duas câmaras.
Em junho do mesmo ano, o Solidariedade, agora transformado em partido, conquistou 99 das 100 cadeiras do Senado e 35% das da Câmara dos Deputados (65% haviam sido reservadas aos comunistas e seus aliados).
Tadeus Mazowiecki, um dos principais líderes do Solidariedade, assumiu o cargo de primeiro-ministro.
O Partido Comunista, após as eleições, passou a perder força a cada dia, até tornar-se totalmente inexpressivo.
Em 1990 foram organizadas eleições para presidente da República. Leeh Walesa elegeu-se, derrotando o próprio Mazowiecki, com quem se havia desentendido.
Walesa tem procurado acelerar o processo de retorno da economia polonesa às regras do livre mercado. Conseguiu reduzir à metade a dívida externa do país. Depois de dois anos de governo, as dificuldades ainda eram enormes. Havia muito desemprego, inflação e baixos salários.

Hungria

Em 1956 a Hungria fez uma tentativa de mudar os rumos do socialismo. Imre Nagy liderou um movimento que propunha a democratização do regime político, com maior liberdade de expressão e certa liberalização da economia. Stalin mandou seus tanques e a rebelião foi esmagada.
O sucessor de Nagy, embora seguisse inicialmente a orientação de Moscou, começou lentamente a introduzir algumas reformas na economia. A produção de bens de consumo passou a ser priorizada. As empresas estatais ganharam maior autonomia e a coletivização da agricultura foi abandonada, tendo os camponeses liberdade para comercializar sua safra. Graças a essas medidas, o abastecimento alcançou excelentes níveis de eficiência, difíceis de serem observados nos outros países socialistas.
Com o advento da perestroika, essas reformas foram aceleradas por iniciativa do próprio Partido Socialista Operário Húngaro, como se chamava o Partido Comunista da Hungria.
Em fevereiro de 1989 foi abolido o sistema de partido único e introduzido o pluripartidarismo. Foram aprovadas eleições diretas para presidente da República e para o Parlamento.
A transição para a economia de mercado vem se acelerando cada vez mais. A propriedade privada no campo foi restabelecida, o Imposto de Renda foi adotado, inaugurou-se a primeira bolsa de valores do mundo socialista, foram suprimidos os subsídios e abolido o tabelamento de alimentos e bens de consumo.

Tcheco-Eslováquia

Em 1968, Alexander Dubcek, então secretário-geral do Partido Comunista da Tcheco-Eslováquia, iniciou um movimento de democratização do pais, que ficou conhecido como Primavera de Praga. O movimento não floresceu, pois os tanques do Pacto de Varsóvia invadiram a Tcheco-Eslováquia e Dubcek foi destituído do cargo.
Só em 1977 é que um novo movimento começou a estruturar-se com a publicação de um manifesto assinado por diversos intelectuais. O manifesto recebeu o nome de Carta 77, protestava contra a repressão e exigia maior respeito aos direitos humanos. A forte repressão não permitiu que o movimento se fortalecesse, o que veio a ocorrer somente na segunda metade da década de 80, graças à perestroika.
A partir de 1987 a oposição se reorganizou e os protestos começaram a surgir em diversas partes. Intensificaram-se sobretudo em 1989, quando os intelectuais da Carta 77 passaram a liderar o movimento. Eles tinham fundado o Fórum Cívico, cujo líder mais importante era Vaclav Havei, importante escritor e teatrólogo.
Aos poucos, o movimento de oposição obrigou o Partido Comunista a ceder o poder, que foi assumido pelo Fórum Cívico. Alexander Dubcek, que se elegera deputado federal, assumiu a presidência da Câmara dos Deputados. Vaclav Havei foi eleito presidente da República.
As mudanças na Tcheco-Eslováquia receberam o nome de "revolução de veludo".

Bulgária

A Bulgária sempre foi o país mais fielmente ligado à União Soviética. Por isso, as mudanças neste país começaram apenas em 1989, quando em outros países já estavam em andamento movimentos bastante amplos.
No final de 1989, começaram manifestações exigindo reformas. Todor Jivkov, que estava no poder havia 35 anos, foi substituído por um dirigente identificado com a perestroika, que prometeu implantar o pluripartidarismo no país. Ainda no final de 1989 surgiu a União das Forças Democráticas, que reunia vários grupos de oposição e levou 100 000 pessoas às ruas para exigir eleições livres e o fim do regime de partido único.
As manifestações prosseguiram e, no início de 1990, Jivkov foi preso e acusado de crimes contra o Estado. O próprio Partido Comunista optou por adotar a denominação de Partido Socialista e passou a defender a economia de mercado.
Ainda em 1990 foi eleita uma Assembléia Constituinte, que elaborou uma nova Constituição, promulgada no ano seguinte. Foi instaurada a democracia e definido o Parlamentarismo como forma de governo. Na economia, iniciou-se o processo de privatização das empresas estatais.

Romênia

A onda de liberalização do Leste Europeu não deixou de atingir também a Romênia, governada com mão de ferro por Nicolae Ceausescu durante 24 anos. Justa mente por sua resistência em acompanhar o processo desencadeado pela perestroika, ele acabou derrubado do poder de forma violenta e fuzilado no dia de Natal de 1989.
Nos anos 70, Ceausescu lançara um ambicioso plano de industrialização, centralizado na petroquímica e financiado por empréstimos externos.
Com a crise internacional do petróleo, a partir de 76, o déficit comercial da Romênia atingiu cifras elevadas. Considerado pelo Ocidente como um bom pagador, Ceausescu resolveu honrar seus compromissos à custa de sacrifícios impostos à população. Trabalho redobrado, o racionamento de gêneros de primeira necessidade, cortes no fornecimento de energia, tudo era feito para ampliar as exportações e carrear recursos para os cofres públicos.
Qualquer contestação era duramente punida.
Como parte de seus planos, o ditador decretou a romenização da minoria húngara que vivia no país. Esse ato de força desencadeou forte reação popular a partir da cidade de Timisoara, na Transilvânia, em dezembro de 1989. Ceausescu mandou reprimir as manifestações.
Houve milhares de mortos. A revolta se intensificou mais ainda, alcançando praticamente todo o país, inclusive a capital. Diante disso, o Exército também se revoltou, indo engrossar a oposição.
Permaneceu ao lado do ditador apenas a Securitate, sua polícia secreta, que entretanto não deu conta de protegê-lo. Ceausescu acabou preso quando tentava fugir de helicóptero. Ele e sua mulher foram em seguida submetidos a um tribunal militar, condenados à morte e fuzilados.
Na falta de partidos de oposição organizados, foi criada a Frente de Salvação Nacional; formada basicamente por ex-dirigentes do Partido Comunista que haviam caído em desgraça sob o governo de Ceausescu, tendo à frente Ion Iliescu.
Foi anunciado imediatamente o fim da censura, a liberdade partidária, a dissolução da Securitate e o fim do racionamento dos gêneros de primeira necessidade.
Foram marcadas eleições para 1990 e Iliescu foi acusado de usar a máquina de governo para garantir sua vitória no pleito, o que gerou protestos em todo o país. Apesar disto, ele foi eleito por ampla margem de votos.
A falta de uma tradição democrática retarda a reorganização da sociedade romena, que, além dos problemas econômicos e políticos, próprios de um período de transição, assistiu o ressurgimento de grupos ultranacionalistas e racistas, que pressionam pela expulsão da minoria húngara residente no país.
Apesar desses conflitos, em novembro de 1991 foi aprovada uma nova Constituição, que consagrou a propriedade privada e estabeleceu diretrizes para levar o país à abertura econômica, a exemplo dos demais países do Leste Europeu.

Albânia

Último reduto do stalinismo na Europa, a Albânia resistiu o quanto pôde aos ventos da abertura. Sob a condução de Enver Hohxa - que governou o país desde o fim da Segunda Guerra Mundial até 1985 - , a Albânia se isolou do mundo, afastando-se até da União Soviética e do Comecon, em 1961, por não concordar com a desestalinização proposta por Kruschev. Alinhou-se então com a China.
Sua política econômica sempre privilegiou a indústria pesada, aproveitando as fontes de matéria-prima existentes no país, como o petróleo e o crômio. Na agricultura, a regra era a coletivização. A médio prazo, esse modelo fez o país atingir a auto-suficiência em alimentos. Trocas no exterior, só a dinheiro, e quando absolutamente imprescindíveis.
A partir dos anos 80, já rompida também com a China, a Albânia iniciou uma pequena aproximação econômica com o Ocidente. Mas sua política permaneceu inalterada até 1985, quando Enver Hohxa morreu. Seu sucessor continuou com essas diretrizes e o país chegou ao final da década com um padrão de consumo ainda bastante restrito.
O governo apresentava, como conquistas importantes, bons sistemas de saúde, educação, transporte e habitação. Mas esse argumento não sensibilizava os mais jovens, que ansiavam por um melhor padrão de vida, de que tinham conhecimento através de programas de televisão captados da Iugoslávia, Itália e Grécia.
Em julho de 1990, milhares de albaneses começaram a invadir embaixadas estrangeiras na capital, Tirana, em busca de asilo. O governo acabou autorizando a emigração.
Simultaneamente, tomou medidas para afastar os ministros mais duros, que queriam reprimir a população.
Os albaneses conseguiram obter legalmente seus passaportes, pequenas empresas familiares foram autorizadas a funcionar, a entrada de capital estrangeiro foi permitida, ainda que timidamente, e os camponeses foram autorizados a vender sua produção aos preços de mercado. Após o relaxamento da censura, foi concedida também liberdade religiosa e partidária.
Finalmente, em março de 91, foram realizadas eleições parlamentares, que deram 66% dos votos para os candidatos do Partido do Trabalho, o Partido Comunista local.
Apesar desses avanços, parte da população decidiu não esperar mais pela melhoria das condições de vida, ainda bastante duras, em comparação com os vizinhos mais prósperos.
Em agosto de 91, uma leva de 22 000 albaneses tentou emigrar para a Itália, através de Brindise, no sul do país. O governo italiano, que havia acolhido albaneses anteriormente, desta vez se recusou, pois o mercado de trabalho no sul da Itália, região menos desenvolvida do país, não comportaria tal volume de imigrantes. Sob protesto, 17 000 desses albaneses foram repatriados.
Em março de 1992, novas eleições foram realizadas. O pleito foi convocado para renovar todo o Parlamento, que, por sua vez, elege o presidente da República. O Partido Democrático (não-comunista) venceu as eleições. Este fato representou o fim da experiência socialista na Albânia.

Alemanha Oriental

A República Democrática Alemã, ou Alemanha Oriental, era o país mais desenvolvido de todo o Leste europeu. Erich Hönecker era o dirigente máximo do país.
Na década de 80, entretanto, para manter sua política de subsídios, característica dos regimes socialistas, o governo recorreu a empréstimos externos, endividando o país e gerando um decréscimo de investimentos em infra-estrutura. Em decorrência, a economia entrou em crise.
Mais do que nunca, os alemães orientais se viram tentadas a cruzar a fronteira com a Alemanha Ocidental, o país mais rico da Europa, em busca de novas oportunidades de trabalho.
Nem o Muro de Berlim, construído em 1961, conseguiu desestimular as fugas. No final de década de 80, com a abertura dos regimes da Polônia e da Hungria, consolidou-se uma via segura de evasão. Como não era necessário passaporte para transitar entre os países socialistas, os alemães orientais dirigiam-se para a Polônia e a Hungria e dali para o Ocidente, sem maiores dificuldades.
Calculava-se que, por esse caminho, a Alemanha Oriental poderia perder até 15% de sua população até 1990.
Começaram a surgir manifestações em diversas cidades. A polícia política - Stasi - tentava reprimi-las, mas com pouco sucesso. Egon Krenz, um dos altos dirigentes do Partido Comunista, liderou um golpe que derrubou Erich Hönecker e deu início a reformas no partido e no regime.
Presos políticos foram anistiados.
O fato mais significativo desse processo foi a abertura do muro de Berlim, em novembro de 1989, decidida pelo governo de Egon Krenz.
A população passou a se organizar em partidos, sindicatos e grupos políticos diversos, alguns dos quais defendiam a reunificação da Alemanha. Dentre estes movimentos, destacou-se o Novo Fórum, com uma plataforma contrária à idéia da reunificação alemã e a favor da democratização do socialismo. Era, até o início de 90, a agremiação favorita nas eleições previstas para abril.
Mas, de olho na unificação, partidos políticos da Alemanha Ocidental interferiram na política interna Oriental, especialmente Helmut Kohl, chanceler (primeiro-ministro) e membro da Democracia Cristã. Procurando agrupar os conservadores, Kohl conseguiu formar uma coalizão - Aliança pela Alemanha - com um discurso pró-unificação, que surtiu efeito junto ao eleitorado alemão oriental, esvaziando a força do Novo Fórum.
Nas eleições, a Aliança pela Alemanha elegeu 193 deputados para o Parlamento da Alemanha Oriental. Helmut Kohl conseguira seu intento: em 3 de outubro de 1990 a Alemanha foi reunificada.
Após os festejos que uniram alemães dos dois lados, começou o processo de absorção da parte oriental pela parte ocidental. Muitas empresas do leste foram fechadas, pois utilizavam tecnologia superada. A moeda oriental foi trocada pela ocidental.
Como a unificação se deu muito rapidamente, acabou sendo traumática para muitas pessoas , que acabaram perdendo seus empregos.

Iugoslávia

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Iugoslávia foi ocupada por forças nazistas. Surgiu então um movimento guerrilheiro de resistência, comandado por Josef Broz Tito. Terminada a guerra e expulsos os nazistas, Tito conseguiu reunir sob sua liderança e sua direção as diversas nacionalidades que compunham o país, num total de seis repúblicas.
Tito e seus seguidores eram socialistas e o sistema político estabelecido no país após a guerra foi o socialismo. Inicialmente a Iugoslávia manteve-se alinhada com a União Soviética de Stalin. Mas, após uma série de desentendimentos, em 1948 Tito afastou-se das diretrizes impostas pela União Soviética e definiu um modelo próprio de socialismo. Uma das características desse modelo era a autogestão das fábricas pelos operários. A partir de 1953, foi autorizada a dissolução das comunas rurais e o ressurgimento da pequena propriedade urbana.
Mas o maior mérito do regime chefiado por Tito foi a manutenção da unidade de um país que congrega diversos povos, alguns, inimigos de longa data. Habitam o país sérvios (cristãos ortodoxos), eslovenos (católicos), bósnios (muçulmanos), húngaros, albaneses, entre outros. São seis unidades políticas: Sérvia, Eslovênia, Croácia, Bósnia-Herzegovina, Monte Negro e Macedônia, além de duas regiões que pertenceram à Sérvia na década de 60, mas conseguiram sua autonomia posteriormente (Kosovo e Voivodina).
Apesar dessas diferenças, enquanto Tito viveu, a Iugoslávia gozou de um período de estabilidade política.
Quanto à economia, em 1967 foram implantadas reformas para se alcançar o que era denominado socialismo de mercado. Tratava-se de uma tentativa de combinar a livre iniciativa com alguns princípios socialistas e melhorar o desempenho do setor produtivo.
Como vimos, essa passagem para a economia de mercado é extremamente complicada e a Iugoslávia não fugiu à regra. Sobreveio um período de crise, com desemprego, inflação e endividamento externo.
Pouco antes de sua morte, em 1980, Tito procurou uma forma de manter unido o país, antevendo que, somente dessa maneira poderia ocorrer a superação da grave crise econômica. Criou então a presidência rotativa, a ser exercida pelas lideranças de cada uma das seis repúblicas, alternadamente.
Esse sistema não eliminou o descontentamento crescente das repúblicas, que explodiu com força após a morte de Tito.
Na verdade, as desigualdades existentes entre as repúblicas vinham se acentuando cada vez mais, diante da crise econômica. A Eslovênia, por exemplo, cuja população representa apenas 8% do total da Iugoslávia e produz 30% do PIB, passou a reclamar dos subsídios dos fundos federais, destinados às regiões mais pobres.
Esse desnível econômico entre as diversas repúblicas veio à tona, com muita força, na época de se efetuar mais um rodízio na presidência da federação.
Em maio de 1991, era a vez do croata Stipe Mesic assumir a presidência do país.
Temendo que o mesmo atendesse às reivindicações das repúblicas mais ricas, Eslovênia e Croácia, que propunham o separatismo ou um novo arranjo no poder, os sérvios impediram a posse.
Fui convocado um plebiscito para que a população iugoslava se pronunciasse sobre o futuro do país.
A Croácia e a Eslovênia, governadas desde dezembro de 1990 por líderes de centro-direita, propunham o estabelecimento de uma confederação de Estados soberanos.
A Sérvia, a maior dentre as repúblicas, se opôs a esse plano, insistindo em manter a federação com um governo central forte. Seu presidente, Slobodan Milosevic, acreditava ser possível manter a unidade do país com o apoio do exército federal, que tem em suas tropas 43flo de soldados sérvios.
Em 25 de junho de 1991, os parlamentos da Eslovênia e a Croácia declararam unilateralmente a independência de seus respectivos países.
Como resposta, a Sérvia mobilizou o exército federal, que começou uma ofensiva contra a Croácia e a Eslovênia, dando início a uma violenta guerra civil.
A Comunidade Européia tentou pôr fim ao conflito, congelando todo o tipo de ajuda, inclusive financeira, à Iugoslávia e enviou uma missão para intermediar um cessar-fogo. Como resultado, ficou estabelecido que a Comunidade Européia concedia uma moratória da dívida externa da Sérvia e esta permitiria que o croata Mesic assumisse finalmente a presidência.
A Eslovênia e a Croácia consentiam também em suspender por três meses suas declarações de independência.
Mas as tropas federais, comandadas por oficiais sérvios, não têm respeitado as numerosas tentativas de impor um cessar-fogo efetivo ao conflito.
Todas as tentativas de trégua mediadas pela Comunidade Européia fracassaram e a UNÚ assumiu a tarefa de buscar solução para o conflito, desembarcando na Iugoslávia, em janeiro de 1992, um contingente de 10 mil soldados (inclusive brasileiros) das Forças de Paz.
A Iugoslávia, tal como existia, desapareceu no dia IS de janeiro de 1992, ocasião em que a Comunidade Econômica Européia reconheceu a independência da Croácia e da Eslovênia. Suécia, Islândia e Vaticano reconheceram os dois países logo a seguir.
Sérvia e Monte Negro foram as duas únicas repúblicas a ficarem juntas.
A Bósnia-Herzegovina e a Macedônia declararam sua independência em março de 1992. Mas nessas repúblicas a situação é complexa. A Bósnia abriga uma presença étnica de sérvios, croatas e muçulmanos. A Macedônia sofre a oposição da Grécia, que não admite nenhum Estado com esse nome, pois Macedônia é o nome de uma província grega.
Até o final de janeiro de 1992, a guerra civil iugoslava já tinha causado cerca de 6 000 mortos e meio milhão de desabrigados. A destruição era enorme, tendo atingido inclusive cidades de grande importância histórica e interesse turístico, como Dubrovnic.

Outros Países Socialistas

As mudanças introduzidas na União Soviética a partir de 1985 não afetaram apenas o país de Gorbatchev ou as chamadas Repúblicas Populares da Europa Oriental. Elas atingiram também a maioria dos outros países de economia planificada (socialistas).
Na África, Angola e Moçambique, independentes desde 1975, haviam feto a opção pelo socialismo. Mas as dificuldades para alcançar um grau mínimo (te desenvolvimento eram enormes. Em Angola, as dificuldades provinham sobretudo da guerra civil travada contra um movimento de oposição armado, a Unita (União para a Independência Total de Angola). Em Moçambique, eram dois os obstáculos principais: a guerra de guerrilhas desenvolvida contra o governo e contra a própria população pela Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), ligada a antigos proprietários portugueses e a interesses da África do Sul; outro obstáculo não menos cruel tem sido a seca (e a fome dela resultante).
Em Angola, as mudanças começaram no início de 1991, quando o Congresso angolano alterou a Constituição do país, acabando com o sistema de partido único, vigente durante os 16 anos anteriores. Foram também elaboradas leis prevendo a volta da economia de mercado e a permissão para a organização de outros partidos políticos.
Em junho de 91 eram concluídas negociações entre o governo angolano e a direção da Unita. Foi assinado um acordo de paz cujo cumprimento seria supervisionado pela ONU. O acordo estabeleceu também a realização de eleições gerais, livres e diretas, em 1992.
A guerra civil em Angola, que durou 16 anos, deixou um saldo de mais de 30 000 mortos, cerca de 100 000 feridos e mais de 500 000 refugiados.
Moçambique também reformou sua Constituição em 1991.
Estabeleceu as normais gerais para a implantação da economia de mercado, imprensa livre, judiciário independente e eleições gerais em data a ser definida. O fim do sistema de partido único fui nutro ponto importante da reforma constitucional. Em maio de 1991 foram iniciadas conversações entre o governo moçambicano e a direção da Renamo para pôr fim à guerra civil.
Outro país de grande importância é o Vietnã. Após a guerra com os Estados Unidos, à qual se seguiu uma guerra civil que terminou em 1975, o Vietnã do Norte tiniu-se ao Vietnã do Sul, constituindo um só país, com capital em Hanói. Os princípios do socialismo eram rigidamente seguidos. Em 1991, o governo vietnamita iniciou um processo de reforma da Constituição, visando instaurar em parte a economia de mercado e acabar com o regime de partido único.
Também no Camboja o regime comunista, em vigor desde 1975, começou a ser abandonado em 1991. Foi assinado um acordo de paz entre o governo, líderes do Khmer Vermelho (grupo guerrilheiro comunista de oposição) e o príncipe Norodon Sihanouk (antigo presidente do país). Por esse acordo, ficou estabelecido um cessar fogo na guerra civil e uma reorganização do país, com a participação dos três grupos políticos envolvidos.
De todos os países socialistas, Cuba é o único que ainda não aderiu às reformas desencadeadas pela perestroika, mantendo-se rigidamente fiel à ortodoxia marxista-leninista.
Fonte: www.news-of-russia.info
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